Engenheiro baiano de origem indiana desenvolve tecnologia para helicóptero que vai sobrevoar Marte

Engenheiro baiano de origem indiana desenvolve tecnologia para helicóptero que vai sobrevoar Marte

O engenheiro Venkata Rajasekhara Gosula, mais conhecido como Raja Gosula, foi um dos pesquisadores responsáveis pela produção do helicóptero Ingenuity, que será lançado pela Nasa com o objetivo de sobrevoar Marte. Raja é indiano e se mudou para Salvador com a família ainda criança, aos 6 anos. Ele coordenou a equipe responsável pela parte digital do chip que comanda o gerenciamento de potência do helicópetero.

Raja coordenou uma equipe com 10 engenheiros, quando ainda trabalhava na empresa Qualcomm, há mais de seis anos. O chip foi originalmente projetado para o gerenciamento de potência em celulares mas, posteriormente, quando a Qualcomm decidiu entrar no mercado de drones, ele passou a ser usado no kit de robótica dos equipamentos.

“O sucesso do chip nos celulares o ajudou a ser escolhido para o kit de robótica, sendo comercializado, inclusive, para a Jet Propulsion Laboratory)/NASA (JPL) que escolheu construir o Ingenuity a partir dessa placa”, conta o engenheiro, que concedeu entrevista ao Portal A TARDE diretamente dos Estados Unidos, onde mora.

Ele conta que o desenvolvimento do chip foi um pouco demorado, já que inovaram em diversas frentes. “Para este chip em particular, o projeto durou entre nove e 12 meses, já que nele colocamos muitas coisas novas. Muitas vezes a gente desenvolve um projeto que a maior parte do chip é a mesma coisa e só um elemento ou outro é novo, mas nesse caso foram muitas inovações, então durou esse tempo de desenvolvimento”, conta.

“Sempre me sinto com sorte quando os projetos em que trabalho terminam em produtos vendidos aos milhões em todo o mundo. Saber que os circuitos que projetei estão funcionando, sob o capô, em todos os lugares, é o orgulho da Engenharia. Mas saber que eles estão trabalhando em Marte é uma coisa de outro mundo!”, completa.

Atualmente, Raja trabalha na empresa Cisco Systems, em San Diego, na Califórnia, desenvolvendo circuitos digitais para processamento de sinais de produtos de fotônica de silício, usada em redes de comunicações de fibra ótica. Quando morava na Bahia, estudou no colégio Antônio Vieira parte do Ensino Fundamental e todo o Ensino Médio (de 1974 a 1980). Depois, ingressou na Universidade Federal da Bahia (Ufba), onde cursou Engenharia Elétrica, concluindo a graduação e cursos de pós-graduação nos Estados Unidos.

Para quem prente seguir a mesma area que Raja, ele tem alguns conselhos: “a dica é sempre a mais simples. é preciso estudar e, nesse caso para desenvolver chips, estudar engenharia elétrica. Para mim, como também tive mestrado em engenharia elétrica e em computação, essas coisas combinadas ajudaram muito”, diz.

“É importante também arriscar, esse mercado é difícil no Brasil. Cheguei a abrir um escritório no Brasil mas foi bem difícil, então outra coisa é buscar oportunidades no exterior. A última coisa seria: em desenvolvimento de produtos, em engenharia, não faça armengue, faça o produto bem desenhado e teste o quanto você puder”, completa.

Entenda o Ingenuity

Ingenuity pesa apenas 1,8 quilos e mede 1,2 metros de uma ponta à outra das pás | Foto: Divulgação | Nasa
Ingenuity pesa apenas 1,8 quilos e mede 1,2 metros de uma ponta à outra das pás | Foto: Divulgação | Nasa

O helicópitero tem chamado tanta atenção pois será o primeiro voo de um veículo motorizado em outro planeta. Composto por quatro pés, um corpo e duas hélices sobrepostas, o Ingenuity pesa apenas 1,8 quilos e mede 1,2 metros de uma ponta à outra das pás.

A Nasa revelou que um pequeno pedaço de tecido da aeronave dos irmãos Wright, que decolou há mais de um século na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, foi colocado no Ingenuity como homenagem.


Esse tipo de engenho pode revelar-se crucial, no futuro, para a exploração de planetas, por ser capaz de ir a locais onde os robôs não conseguem ter acesso, como desfiladeiros.

A Nasa trabalha também em outro projeto de engenho voador da missão Dragonfly (Libélula, em português), que em 2026 enviará um drone até a maior lua de Saturno, Titã, onde chegará em 2034.

As primeiras experiências de voo em outros planetas foram feitas com engenhos não motorizados, lembrou a Nasa, por meio do envio de balões meteorológicos para Vênus, como parte do programa Vega, em colaboração com a Rússia e outros países, como a França.



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