Bolsonaro e governadores voltam a se contrapor no pior momento da pandemia

Bolsonaro e governadores voltam a se contrapor no pior momento da pandemia

No momento em que novos casos e de mortes pela Covid-19 crescem de forma exponencial no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a se contrapor com os governadores, que buscam autonomia e recursos para acelerar o combate à pandemia.

Na última terça-feira, 2, Bolsonaro vetou artigos da lei que autorizou o acesso do Brasil ao Covax Facility, consórcio de países para compra e massa de vacinas contra o novo coronavírus com um preço mais atrativo. Entre os artigos vetados estava o que dava autonomia para estados e municípios comprarem, de forma direta, imunizantes contra o novo coronavírus, na ausência de uma ação efetiva por parte do Ministério da Saúde.

Na semana passada, em tom de ameaça, Bolsonaro afirmou que o governador que decretar lockdown após o governo federal retomar o programa auxílio emergencial, terá que arcar com os custos do programa de transferência de renda.

Em resposta, os governadores entraram com ações no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo autorização para aplicação de eventuais vacinas adquiridas com recursos próprios, e questionaram as falas sobre o auxílio emergencial.

O governador da Bahia, Rui Costa, e o do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), entraram com uma ação, também no Supremo, para que Bolsonaro retire uma postagem feita em sua rede social e do governo federal, em fevereiro, na qual divulga os valores constitucionais e obrigatórios repassado aos estados, dando a entender, para os seus seguidores, que estava repassando valores exorbitantes aos governadores.

No parlamento, o sentimento é que o presidente decidiu regressar ao comportamento beligerante no período mais delicado para o país desde o início da pandemia do novo coronavírus, em fevereiro de 2020, criando um clima ruim em um momento que exige pacificação e foco integral nas ações que possam resolver o problema, que ocorrerá com uma vacinação em massa da população, ou amenizar o sofrimento do povo brasileiro, com acesso aos respiradores e leitos de UTI, para os casos graves da doença.

Tensionamento

O senador Otto Alencar, líder do PSD, diz que o presidente sempre tenciona. “Bolsonaro coloca as posição dele quase que em estado de beligerância permanente com os que discordam. É o que está acontecendo com os governadores. A democracia é o regime que permite a discordância, a liberdade de expressão e de imprensa… Suas atitudes são sempre distantes da realidade do país”, criticou Alencar.

Para o deputado federal Zé Neto (PT), o comportamento de Jair Bolsonaro segue uma lógica de acirrar os ânimos para mobilizar sua base e desviar o foco da pandemia, protelando ações urgentes.

“Vivemos um momento dificílimo e está claro que o presidente trabalha em cima de populismo para aqueles que o acompanha, enquanto tenta ganhar tempo apostando em uma situação de imunização de massa, de rebanho, natural, para que se gaste menos e, ao final, jogar na conta de estados e municípios os gastos”, opinou Zé Neto.

O deputado diz que é difícil lidar com tanta “inconsequência do presidente”. Ele lamenta que Bolsonaro, “ao mesmo tempo que joga responsabilidade para governadores e prefeitos”, veta “MP que previa redução do prazo de liberação de vacinas na Anvisa e o dispositivo que previa que os entes públicos pudessem realizar a imunização na ausência do MS”.

O petista lamenta que o país tenha chegado em um estágio de recorde de mortes e de novos casos, e culpa o Ministério da Saúde e o chefe do executivo federal pelo “caos”, que, segundo sinaliza, está repercutindo fora do país, com “a iminência de uma bloqueio internacional” por causa do descontrole na pandemia.

“A Câmara e o Senado precisam tomar medida enérgicas, tensionar para que Bolsonaro sancione medidas como o PL que viabiliza a compra direta, por estado e municípios, da vacina. E, por outro lado, a gente precisa fazer com que os culpados respondam por essa tragédia, através de uma CPI para apurar responsabilidades”.

Aglomeração

O deputado Jorge Solla (PT) foi outro a criticar o comportamento de Bolsonaro, afirmando que desde o início da pandemia ele vem adotando um “comportamento irresponsável”, “criando situações para proliferação do coronavírus”, e que, agora, no período mais delicado, “não poderia ser diferente”.

“Não estamos lidando com uma situação nova, há mais de um ano que ele vem adotando essa postura de negar a gravidade da pandemia, defender e adotar comportamentos contra as medidas de prevenção, promover aglomeração e se manter sem máscara; a novidade é que agora está dificultando o acesso à vacinação”, crítica Solla.

Para Alex Santana, deputado federal pelo PDT Bahia, o clima de animosidade entre o presidente e os governadores de estado só serve para atrapalhar o foco no combate a covid-19.

Ele sinaliza que ocorreram erros tanto por parte do governo federal, que deveria firmado mais protocolos de intenção para compra de vacinas, como dos governadores, que desmontaram hospitais de campanha e que não atuaram de forma mais consistente para impedir aglomeração no período eleitoral de 2020, atendo à interesses partidários, fato que apontar ter tido a leniência do presidente da República.

“Esse jogo de interesse político cria o pior dos mundos para todos os lados. É um clima de tensão constante, de um lado o presidente buscando um viés políticos de olho em 2022, e por outro lado os governadores criando situações para desgastar o governo federal. No meio disso está o cidadão, principalmente o mais pobre, desassistido”, pontuou Santana.

Combustível

O pedetista acredita que Bolsonaro, ao zerar alguns impostos do combustível, dá o primeiro passo para solucionar o problema, e aponta que é preciso uma boa vontade dos governadores em busca de uma mudança no ICMS, para tornar o combustível mais barato na bomba.

Jorge Solla acredita que os estados serão prejudicados ao alterar o ICMS e diz que, ao questionar o ICMS, o presidente busca criar uma cortina de fumaça para esconder o real motivo para política de preços de combustível em vigor na empresa de economia mista, que, segundo ele, “trabalha para enriquecer os acionistas”.

“Por que vai tirar dinheiro do imposto que é usado para financiar a saúde, educação e as políticas públicas? Para garantir lucros aos acionistas? O problema da Petrobrás não é imposto, e Bolsonaro sabe disso. A empresa trabalha hoje para garantir lucros absurdos aos maiores acionistas, e boa parte deles nem mora no no país”, criticou Solla.

Indexando o valor do combustível ao mercado internacional, opina Solla, a empresa deixa de trabalhar com o preço em função do custo de operação e distribuição, para atuar com uma margem de lucro absurda, que atende aos acionistas e ao Mercado Financeira, e não aos anseios da população brasileira.

 



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