“O impacto é forte, mas a Bahia tem alternativas”, avalia superintendente da Fieb sobre saída da Ford

“O impacto é forte, mas a Bahia tem alternativas”, avalia superintendente da Fieb sobre saída da Ford

O anúncio do fechamento da fábrica da Ford em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), pegou os 12 mil trabalhadores da montadora de surpresa, apesar de a empresa dar sinais de que enfrentava problemas. Em entrevista ao programa Isso é Bahia, na rádio A TARDE FM, na manhã desta terça-feira, 12, o superintendente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Vladson Menezes, disse que a notícia do fim das atividades da montadora não era esperada. “Óbvio que existiam alguns fatores que dificultavam a competitividade da Ford, não só em Camaçari. Isso é uma questão nacional. Inclusive, Camaçari, dentro do Brasil, era onde estava a maior parte da produção da Ford”, afirmou.

De acordo com ele, algumas razões que impactam nesta decisão têm a ver com a estratégia da Ford e com os condicionantes do mercado nacional, do ambiente de negócios no Brasil. “Do ponto de vista estratégico, a indústria automotiva tem passado por mudanças, com novas tecnologias, veículos elétrico e autônomo, novas exigências ambientais. A Ford resolveu investir nestes aspectos nos países mais desenvolvidos, porque aí os ganhos tecnológicos acabam sobrepondo à diferença de custo, por exemplo, da força de trabalho”, detalhou. Segundo Vladson, este é um movimento que dificulta a produção nacional.

“A Ford vinha perdendo espaço no mercado brasileiro. Era a 4ª montadora e, desde 2013, vinha perdendo espaço. Fechou o ano passado em 5º. Na produção de veículos leves, estava em 6º lugar. Então, isso é uma dificuldade da empresa. Agora, tem a dificuldade do país: variação cambial muito grande e esta desvalorização, quando ocorre, amplia os custos dos componentes importados; tem um sistema tributário complexo e ruim; burocracia excessiva e problema de infraestrutura”, elencou.

Alerta

O superintendente da Fieb alertou que, se estes itens não forem sanados, o Brasil corre o risco de novas empresas deixarem o país. “A gente teve o anúncio, no próprio setor automotivo, da Mercedes-Benz, no mês passado. Se eu juntar tudo isso com a pandemia e com a crise econômica, tem um ambiente realmente muito negativo”.

O governador Rui Costa (PT) informou que já iniciou sondagens de possíveis investidores, a fim de reparar as perdas do setor. Para Vladson, o caminho é este, uma vez que há espaço físico adequado, mão de obra na Bahia com experiência no setor e empresas com estratégias distintas da Ford. “Este esforço tem que ser feito. O governo (estadual) já procurou a Federação das Indústrias para colaborar neste processo. Acho que isso te quem ir além do governo, envolver outros agentes, inclusive o próprio Governo Federal. Este movimento está sendo feito. Se vai ser bem sucedido, vai depender de todo um processo de negociação, que vai ser difícil, que vai ser penoso, mas que a gente aposta nele”.

Sobre possíveis empresas que poderiam ocupar o parque fabril após a saída da Ford, Vladson é cauteloso. “Não posso falar me nome de empresa. O que a gente sabe é que é possível que tenhamos uma reunião, hoje à tarde ou nos próximos dias, levantando as informações para trabalhar forte. A concretização vai depender das condições dadas pelos governos estadual e federal”.

Como fica a economia baiana?

A saída da Ford vai impactar diretamente na economia do estado, uma vez que, segundo o superintendente, a indústria automotiva, ou seja, a Ford e as empresas que estão dentro da planta da Ford, representam 5,4% do valor da indústria de transformação. “Ela (indústria automotiva) gera 4,1% do emprego na indústria de transformação. Estes trabalhadores têm uma massa salarial mensal de aproximadamente R$ 515 milhões. A receita líquida da Ford foi, em 2019, de R$ 12,4 bilhões. Então, tudo isso impacta diretamente na empresa e nas empresas fornecedoras que estão na planta”, afirmou.

Segundo ele, o impacto do fechamento da indústria da Ford, em Camaçari, deve ser muito maior, porque atinge em cheio as empresas de pneus e petroquímica, atividade portuária e logística em geral. “É importante reverter este movimento. Não com a Ford, que já saiu, mas buscando outras (empresas). Por isso a Fieb está engajada em colaborar com o governo do estado neste processo. O impacto é forte, mas a Bahia tem alternativas”, concluiu.



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