No Dia dos Direitos Humanos, comunidade do Uruguai denuncia violação de liberdades

No Dia dos Direitos Humanos, comunidade do Uruguai denuncia violação de liberdades

Nesta quinta-feira, 10, dia em que se celebra a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a comunidade do Uruguai, por meio da Associação de Moradores do Conjunto Santa Luzia, promoveu um manifesto para denunciar a violação, vivida pelos moradores, desses direitos humanos.

Em formato de debates, apresentações musicais e de dança, e recitações de poesias, a organização do evento impôs regras de distanciamento social, aferiu a temperatura corporal dos presentes, e disponibilizou álcool-gel. No entanto, para Mariselma Bonfim, pedagoga e coordenadora pedagógica da associação, a pandemia de coronavírus só tornou decreto o que já era realidade: a falta de aulas nas escolas.

“Hoje tem a desculpa da Covid-19, com os decretos que suspenderam as aulas presenciais, mas, mesmo antes, não aconteciam as aulas. Os meninos vão para escola e passam a manhã ou a tarde toda sem aula. Foi vetado o direito à educação”, constatou Mariselma.

Outro direito violado é à moradia digna. A população do Uruguai, em sua maioria, morava em palafitas. Conseguimos sair delas, mas continuamos vivendo em casas que não tem saneamento básico. Tem casa que não tem banheiro dentro, outras que se localizam em ruas que são de areia, ou casas muito pequenas para famílias grandes”, descreve.

“Foi vetado a liberdade de ir e vir, que também está na declaração dos direitos humanos. Aqui, temos somente uma linha de ônibus. O restante foi tirado com a vinda do metrô”, destaca. “É importante que a gente saiba que temos direito de ir e vir, andar, dormir em paz, ter uma moradia digna e sobreviver nas comunidades”, pontua.

“A juventude morre diariamente. É vetado o direito humano de viver. As crianças não podem brincar na rua porque toda hora é uma guerra”, sentencia. Em concordância, Tatiane dos Anjos, estudante e articuladora social da Rede de Protagonistas em Ação de Itapagipe (Reprotai), reforça que o crescimento da violência policial na periferia, a cobertura sensacionalista da imprensa e o racismo da sociedade são fatores que estimulam a desumanização.

“O jovem negro, quando sai da periferia, e vai para o shopping, é tido como um marginal. Nunca é visto como um cidadão”, exemplifica. Para Tatiane, existem muitos programas sensacionalistas que em vez de mostrarem o que a comunidade tem de melhor, enfocam em matérias devastadoras.

“Um dos destaques que gostaria de colocar é que, no bairro do Uruguai, a gente tem uma moeda social que circula por 30 empreendimentos. A comunidade pode solicitar o empréstimo com juros baixíssimos e a economia circula”, menciona a estudante. A moeda de nome Umoja, um dialeto africano, traduz-se em “estar juntos”.

Tatiane atenta, ainda, para a Escola Comunitária Luiza Mahin, onde, por meio da Lei 10.639, a questão racial é trabalhada através da valorização da cultura e do resgate histórico. Também está vinculada à associação de moradores a Creche Comunitária Ruby, que faz referência à primeira criança negra autorizada a estudar em uma escola primária exclusiva para pessoas de cor branca.

Participaram do evento a Rede Cammpi (Comissão de Articulação dos Moradores da Península de Itapagipe), a União de Negros pela Igualdade (Unegro), a Fábrica Cultural, o Instituto das Mulheres Negras Luiza Mahin, o Espaço Cultural Alagados e a Casa de Oração Mariazinha.




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