Pandemia altera tradição da reunião familiar durante festejos natalinos

Pandemia altera tradição da reunião familiar durante festejos natalinos

Na última década, o Natal virou sinônimo de beira-mar e casa cheia na família do professor universitário Marcos de Oliveira Melo, 38 anos. Entre tios, primos e também amigos, já chegou a 30 pessoas, mas em 2019 o número de participantes foi metade do recorde estabelecido. Sempre à frente da organização dos festejos, diante da pandemia de Covid-19, Marcos nem cogitou manter a tradição familiar.

Em vez de alugar uma casa na Praia do Forte ou em Barra do Jacuípe, como vinha acontecendo na última década, ele vai passar o Natal somente com a mãe e as duas irmãs.

“Fiquei receoso de fazer aglomeração, tanto pela minha mãe e minha avó, caso ela vá, mas também pelas outras pessoas”, conta o professor.

Marcos ressalta que começou a sair de casa para ir ao mercado, farmácia e afins nos últimos dois meses, mas antes estava em isolamento total, comprando tudo pela internet.

Uma das suas irmãs também está em home office, a outra voltou a trabalhar presencialmente na indústria petroquímica. Com 60 anos, a mãe de Marcos é aposentada, mas tem uma mercearia em Conde.

Controle

A casa da mãe era a sede habitual do Natal da farmacêutica Mayara de Queiroz, 44 anos, mas este ano será diferente.

Oficialmente, a noite é compartilhada pelo núcleo mais próximo, ela, a mãe, o irmão, mas como não faltam parentes e amigos na vizinhança, sempre tem quem dá uma passadinha para desejar boas festas e fazer um brinde.

Para que o fluxo fique sob controle durante a pandemia, o Natal de 2020 será em Boquim, interior de Sergipe, onde, segundo Mayara diz, nunca houve registro de Covid-19.

Há cinco anos, a irmã dela mora no município com o marido e as gêmeas de seis anos e não tem participado da ceia com a mãe, então a transferência de sede também é uma forma prática de incluí-la.

A irmã de Mayara e o marido trabalham em casa, tocando um negócio de doces e salgados por encomenda. O irmão dela está em home office e a mãe já aposentada, mas Mayara trabalha presencialmente, em dois lugares, de 7h às 19h, e às vezes visita unidades de saúde. Ela é testada periodicamente nos empregos e nunca teve Covid-19, mas pretende fazer um teste antes da viagem natalina. E em caso de algum sintoma, ela passará o Natal em casa, sozinha.

Tanto Mayara quanto Marcos planejam um encontro mantendo o distanciamento dos seus parentes e adotando os cuidados de higienização. Um Natal com afeto, mas sem abraços.

Perigo em casa

“No momento atual não é seguro, inclusive o que a gente vem observando é que o perigo está mais entre as pessoas próximas, pois as pessoas vão para bares, restaurantes, na casa dos outros e relaxam nas medidas de prevenção”, alerta a infectologista Clarissa Ramos sobre os festejos natalinos.

De acordo com o boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde do Estado divulgado, ontem, foram registrados 4.204 casos novos na Bahia e 20 óbitos.

Mesmo ressaltando o risco das confraternizações natalinas, Clarissa indica algumas medidas. Restringir o número de pessoas, manter o distanciamento e não tirar a máscara, exceto para se alimentar, estão entre as recomendações.

Acesso ao Papai Noel está diferente

A preocupação com os riscos de transmissão do coronavírus não mudou apenas os planos natalinos das famílias, impactou também outra tradição: o Papai Noel de shopping. Acostumados a abraçar a criançada que chega para tirar fotos, fazer pedidos e até mesmo puxar sua barba, os “bons velhinhos” agora mantêm a distância recomendada para proteger sua saúde e de todos que os visitam.

Nos locais que não optaram por interação exclusivamente virtual, o Papai Noel é envelhecido pela barba e caracterização geral, mas quem está por baixo do traje não é idoso, portanto está fora do grupo de risco. Os shoppings também tiraram o personagem natalino das áreas centrais da decoração natalina, criando espaços específicos para a interação com seus visitantes, de maneira a evitar aglomerações.

No Salvador Shopping, é como se a Casa do Papai Noel tivesse uma grande janela de vidro e um varandão para as crianças e suas famílias, que entram gradualmente neste espaço e esperam sua vez de interagir. Um sistema de microfones permite a comunicação entre o “velhinho” sentado em sua poltrona e o visitante que permanece do lado de fora. Não faltam acenos, risadas e as fotos, muitas vezes tiradas pelas assistentes de Noel.

A criação de uma Casa com dois ambientes sensorialmente conectados pelo vidro transparente e um sistema de som também foi a solução encontrada no Salvador Norte Shopping, de acordo com a assessoria do estabelecimento.

Nos shoppings Bela Vista, Barra e Itaigara, as assessorias informam que a marcação do distanciamento é feita com o uso de cordas, impedindo que as crianças mais afoitas corram para o colo do Papai Noel. No primeiro, o símbolo natalino fica no seu trailer, no segundo está numa loja preparada especialmente para ele, e no terceiro, estará em sua oficina.

Cercado por anteparos transparentes, o “bom velhinho” do Shopping da Bahia pode ser observado por quem passeia no estabelecimento. As crianças que se aproximam podem acenar e tirar fotos com o Papai Noel fazendo pose ao fundo, cada um de um lado da divisória, ambos protegidos do coronavírus.

Embora em alguns locais, os Noéis de carne e osso contem com o auxílio de ferramentas e plataformas digitais para divertir a criançada, alguns shoppings preferiram apostar totalmente nas tecnologias. No Paralela, a realidade aumentada torna possível fazer fotos com o personagem em qualquer ponto do shopping e também pode acontecer um encontro virtual na Casa do Papai Noel. No Passeo, as cartinhas em papel foram substituídas por e-mails para o velhinho que simboliza o Natal. Já no Piedade, as noeletes irão receber os recadinhos e pedidos escritos pelas crianças e entregar ao Papai Noel em sua fábrica, enquanto no Center Lapa foram criados cenários especiais para fotos natalinas.




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Dum Leão

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