O Texas pode virar democrata? | Blog da Sandra Cohen

O Texas pode virar democrata? | Blog da Sandra Cohen

Desde a eleição de Ronald Reagan, em 1980, o Texas é tingido da cor vermelha no mapa eleitoral americano, reduto garantido do Partido Republicano. O recorde de 9,6 milhões de votos antecipados e pesquisas que mostram Donald Trump e Joe Biden praticamente empatados fazem especialistas questionarem se em 2020 o estado azulará, dando esperanças aos democratas.

O comparecimento maciço de eleitores mudou o panorama texano, que passou a ser classificado como estado incerto. Em 29 condados, a participação foi maior do que 60%, ou seja, superior à votação de 2016, quando Trump ganhou com margem de 9 pontos percentuais. Analistas preveem que na terça-feira, o estado, que sempre registrou baixa participação, terá mais de 12 milhões de votantes. Em jogo, estão 38 delegados no Colégio Eleitoral.

Republicanos ainda reivindicam a cor vermelha do Texas, embora uma pesquisa recente do “The Dallas Morning News” mostre Biden à frente de Trump com dois pontos de diferença (48-46). Na média das pesquisas nacionais, a disputa está acirrada, com Trump na liderança com 2,3 pontos na frente.

A composição demográfica mudou — formada por 41% de brancos, 40% de latinos,13% de negros e cerca de 5% de asiáticos. A senha para esta guinada populacional, mais jovem e menos branca, é a comunidade hispânica, que representa 30% dos eleitores. Nos últimos dois anos, a população cresceu em 367 mil pessoas, e a maioria dos migrantes vem da Califórnia.


Condados populosos, como o de Harris, onde a participação já superou o da eleição de 2016, ofereceram centros de votação abertos 24 horas na última noite de votação antecipada. Os republicanos contestaram a legalidade de 117 mil cédulas de eleitores que votaram em seções drive-thru e representam 10% do total de votantes. A questão será decidida nesta segunda-feira pela Justiça Federal.

Em mais de 25 anos de domínio republicano, os democratas relegaram o estado a segundo plano, investindo recursos em campos de batalha a serem conquistados. Prova de que o estado se transformou numa aposta democrata é a presença de Kamala Harris e de Jill Biden em eventos de campanha.

A candidata a vice-presidente na chapa democrata fez um tour por três cidades neste fim de semana, estimulando eleitores ao voto. Houve tensão entre os dois campos. Um ônibus que percorreria 14 cidades foi cercado por seguidores do presidente, obrigando a campanha democrata a cancelar alguns eventos por razões de segurança. Trump agradeceu no Twitter: “Eu amo o Texas.”

O estado não é essencial para a vitória de Biden, mas imprescindível para o sucesso de Trump. A campanha democrata programou uma ofensiva mais agressiva no Texas, forçando também um contra-ataque dos republicanos num estado até 2016 considerado um campo seguro e firmemente conservador.

A possibilidade de o Texas virar azul — a última vez foi com a vitória de Jimmy Carter, em 1976 — energiza a corrida eleitoral. “Eles sabem que quando votamos, as coisas mudam. Eles sabem que quando votamos, nós ganhamos”, resumiu Kamala Harris em Fort Worth.

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