Prima de brasileira morta na França diz estar ‘sem chão’ | Mundo

Prima de brasileira morta na França diz estar ‘sem chão’ | Mundo

Rita concedeu entrevista à GloboNews. Veja no vídeo acima.

“Como a gente recebe a notícia que uma pessoa católica, cristã, que sai de manhã para trabalhar, deixa filhos em casa, e pouco antes da 7 da noite a polícia liga e avisa eu essa pessoa não está mais em vida? Que essa pessoa não vai mais voltar para casa, não vai mais ver seus filhos, não vai mais ver seus irmãos, não vai mais ver sua família? A gente está sem chão”, afirmou Rita.

Rita disse que Simone era uma pessoa alegre que contagiava todos ao redor.

“Estava sempre rezando por todo mundo. Era uma pessoa alegre, com a felicidade estampada no rosto, com vontade de viver. Onde chegava contagiava todo mundo e é assim que a gente vai lembrar dela”.

A brasileira Simone Barreto Silva morreu no ataque à basílica de Nice — Foto: Reprodução/Facebook/Simone Barreto Silva

Nascida no Lobato, na Cidade Baixa, no subúrbio de Salvador, Simone Barreto tinha nacionalidade francesa e formação de cozinheira, e atualmente trabalhava também como cuidadora de idosos. Ela morava na Europa desde 1995, quando deixou o Brasil para ir participar de um grupo de dança dirigido pela irmã.


O Consulado Geral do Brasil em Paris confirmou no início da noite de quinta que uma das vítimas do atentado terrorista na basílica Notre-Dame, no centro de Nice, era a brasileira Simone Barreto Silva.

Um ataque a faca deixou três mortos na manhã desta quinta-feira na Basílica de Notre-Dame em Nice, no sul da França. Entre as vítimas também estavam uma idosa, que foi decapitada, e o sacristão da basílica.

O homem considerado suspeito de ter cometido o atentado, de 21 anos, foi baleado pela polícia e depois preso.

Simone foi ferida a faca e morreu num restaurante quase em frente à catedral, onde tentou se abrigar. Ela estava na França havia 30 anos e deixou três filhos.

Um dos proprietários do restaurante l’Unik, onde Simone chegou completamente ensanguentada, Brahim Jelloule, falou à TV France Info, ainda em estado de choque.

“Ela atravessou a rua, toda ensanguentada, e foram meu irmão e um dos nossos funcionários que a resgataram, a colocaram no interior do restaurante, sem entender nada, e ela dizia que havia um homem armado dentro da igreja”, disse.

O irmão de Jelloule e o funcionário chegaram a entrar na igreja, mas viram o homem armado com uma faca, foram ameaçados pelo terrorista e saíram correndo. Foram eles que chamaram a polícia.

Segundo Jelloule, Simone morreu uma hora e meia depois de ter sido ferida. O atentado ocorreu às 9h da França (6h da manhã em Brasília).

Simone Barreto Silva morreu no ataque à basílica de Nice, na França — Foto: Reprodução/Facebook/Simone Barreto Silva

Ivana Gomes Amorim, amiga de Simone Barreto, contou ao G1 que a mulher era brincalhona e que tinha o sonho de rodar o mundo com um food truck.

“Ela era brincalhona. Ela sorria por tudo, e até por nada. Tinha sempre brincadeira nas conversas dela. Ela não se impedia de rir, mesmo quando estava difícil. Ela se divertia muito e tinha o sonho de viajar o mundo com um food truck”, disse Ivana.

Simone celebrava Yemanjá na França

Segundo membros da Ala Mulheres na Resistência da Lavagem da Madeleine, evento cultural brasileiro que acontece há 19 anos em Paris, Simone e suas irmãs “participaram da Ala em 2019, mas não vieram este ano por causa da Covid-19”.

Além disso, Simone era agitadora cultural em Nice e organizou, com suas irmãs e primas, a Festa de Yemanjá na cidade.

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