Eleições nos EUA: conheça os candidatos que tiveram mais votos, mas não viraram presidente | Eleições nos EUA 2020

Eleições nos EUA: conheça os candidatos que tiveram mais votos, mas não viraram presidente | Eleições nos EUA 2020

Um candidato que recebe a maior parte dos votos dos eleitores nos Estados Unidos nem sempre é aquele que termina ocupando a Casa Branca. Isso acontece porque o sistema eleitoral norte-americano é diferente do usado no Brasil e em outros países presidencialistas (veja no vídeo acima).

Em 2016, por exemplo, a democrata Hillary Clinton teve a maioria dos votos diretos, mas não foi eleita e Donald Trump virou presidente. Caso isolado? Não, pelo menos outros quatro candidatos que já foram os mais votados não sentaram no Salão Oval.

Nos EUA, não basta ter a maioria dos votos diretos, é preciso que o candidato a presidência conquiste a maioria dos delegados que compõem o colégio eleitoral. Só que os candidatos levam toda a “bancada” de delegados de cada estado onde têm maioria de votos.

Isso significa que um concorrente que venceu por ampla margem de votos em um lugar pode acabar equiparado no colégio eleitoral pelo oponente que venceu por uma margem muito menor em um outro estado com a mesma quantidade de delegados. Entenda mais sobre esse processo no final da reportagem.


Eleições nos EUA 2020: Distribuição dos delegados no país — Foto: Elcio Horiuchi/G1

O professor do departamento de ciência política da Universidade de Buffalo (EUA) Jacob Neiheisel explica em entrevista ao G1 que o mais comum é que o candidato que conquistou a maioria do voto popular seja também o escolhido pelos delegados.

“Uma diferença entre o colégio eleitoral e o voto popular acaba levantando questionamentos sobre a legitimidade de quem é declarado vencedor, mas, sob uma perspectiva histórica, isso é pouco comum” , disse Neiheisel.

Segundo o pesquisador, existem “bons argumentos” no país tanto para manter esse sistema quanto para deixá-lo de lado. Ele aponta que há discussões atuais sobre mudanças no sistema de votação – e propostas que até acabariam com a necessidade de um colégio eleitoral.

“A discussão mais recente está centrada no Pacto do Voto Popular entre os Estados“, disse o professor de ciência política.

Com esse acordo, os estados se comprometem a respeitar que os mais votados pelo voto individual sejam também os que recebam a maioria dos votos no colégio eleitoral. Na prática, ele pede o fim dos colégios eleitorais.

Pelo menos 16 estados já mostraram interesse em seguir com este pacto, o que representa cerca de 196 votos eleitorais – de delegados. No entanto, para ele ser aprovado e se tornar lei, é preciso do apoio de outros estados, responsáveis por pelo menos mais 74 votos eleitorais.

Candidata Hillary Clinton (esq.) em debate nas eleições de 2016; Al Gore (dir.), candidato às eleições de 2000 em foto como vice-presidente na gestão de Bill Clinton (1993-2001) — Foto: AFP/Casa Branca/G1

O resultado das eleições de 2016 pegou muitos analistas de surpresa: o outsider Donald Trump levou a melhor contra Hillary Clinton, que contava já com uma extensa trajetória política.

Pesquisas eleitorais apontavam vitória com folga para a democrata –que levou a maioria dos votos populares, cerca de 3 milhões a mais que Trump–, mas no final, o que importou mesmo foram os votos dos delegados que deram o cargo ao republicano.

A democrata só venceu em 19 estados e na capital federal –recebendo o equivalente a 232 votos no Colégio Eleitoral. Trump, ainda que tenha recebido menos votos populares, garantiu a vitória ao obter 306 delegados.

Resultado das eleições nos EUA em 2016 — Foto: Elcio Horiuchi/G1

A última vez que um descompasso desses tinha acontecido foi em 2000, quando as urnas tinham maioria de votos para o democrata Al Gore, mas o colégio eleitoral deu a vitória para o republicano George W. Bush. Ele conseguiu vencer em estados que lhe garantiram uma composição de mais delegados.

Aquela eleição foi marcada também por uma polêmica contagem de votos no estado da Flórida, tudo por causa das cédulas que confundiram os eleitores: muitos votaram em Pat Buchanan, do partido Reformista, pensando ter votado no democrata.

Depois de muita recontagem e da judicialização do caso, a Suprema Corte dos EUA decidiu a favor de Bush – no final foram 271 votos para o republicano e 266 pra o democrata.

Resultados das eleições nos EUA em 2000 — Foto: Elcio Horiuchi/G1

Jackson, Tilden e Cleveland

Além das eleições de 2016 e de 2000, o ganhador do voto popular não venceu em outras três ocasiões:

  • em 1824, o general Andrew Jackson perdeu as eleições mesmo recebendo mais votos que o presidente eleito, John Quincy Adams.
  • em 1876, o democrata Samuel J. Tilden levou a maioria dos votos populares, mas quem garantiu a vitória com o apoio dos delegados foi o republicano Rutherford B. Hayes
  • em 1888, o presidente Grover Cleveland, que buscava a reeleição, foi o mais votado. Ele perdeu no para o republicano Benjamin Harrison

Segundo o arquivo da Casa Branca, o primeiro caso em que o candidato mais votado não levou as eleições foi registrado em 1824. Naquele ano, o general Andrew Jackson recebeu a maioria dos votos populares e dos delegados, mas perdeu para John Quincy Adams, que foi escolhido pelo Congresso.

Em 1876, Tilden conseguiu 4.300.000 votos populares, enquanto Hayes pouco menos, 4.036.000. A decisão final foi dada também pelo Congresso Nacional, que concedeu ao candidato republicano a vitória com 185 votos a 184.

Já no pleito de 1888, o republicano Harrison derrotou o candidato democrata Grover Cleveland ainda que seu oponente tenha conquistado 90,5 mil votos a mais que ele. A decisão ficou com o colégio eleitoral que deu a Harrison 233 votos e a Cleveland apenas 168.

Grover Cleveland (esq.) e Samuel J. Tilden (cen.) e general Andrew Jackson (dir.) venceram a maioria dos votos populares mas perderas as eleições presidenciais em 1888, 1876 e 1824 — Foto: Arquivo/Casa Branca/Governo de Nova York/Secretaria de Estado do Tenessee

Apesar de ser um sistema que recebe críticas, o colégio eleitoral foi pensado pelos fundadores dos Estados Unidos e aparece na Constituição de 1787. Com as limitações tecnológicas e geográficas dos EUA à época, uma votação universal –como a que existe no Brasil– era impensável.

Além disso, como existe a obrigação de que os estados tenham no mínimo três votos, os criadores deste processo de votação tentaram garantir que os estados menores ou menos povoados também fossem levados em conta durante as eleições.

Hoje em dia, a tradição dos representantes permanece: são 538 em todos os 50 estados mais a capital federal. Vira presidente o candidato que conseguir o voto de pelo menos 270 deles, que são chamados de delegados.

O número de delegados por estado é proporcional à sua representatividade no Congresso. Por isso é tão importante um candidato se dar bem em estados como Califórnia, Flórida e Texas, por exemplo. Juntos eles têm 133 delegados – quase 25% do total.

Quase todos os estados – tirando o Maine e Nebraska – adotam um sistema chamado “winner takes all” (ganhador leva tudo), no qual o candidato que conseguir o maior número de votos no estado fica com todos os seus delegados .

Em geral, existem estados que são tradicionalmente republicanos, outros onde democratas ganham praticamente sempre – mas a briga de verdade acontece naqueles conhecidos como “swing states” (estados pêndulo), onde não há tanta fidelidade e os resultados variam de acordo com cada eleição. Carolina do Norte, Ohio, Pensilvânia e mesmo a Flórida estão entre eles e podem ser decisivos.

VÍDEOS: Eleições nos EUA 2020


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Dum Leão

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