Azerbaijão diz que as Forças Armadas da Armênia bombardearam 2ª cidade | Mundo

Azerbaijão diz que as Forças Armadas da Armênia bombardearam 2ª cidade | Mundo

O Azerbaijão disse neste domingo (4) que as Forças Armadas armênias bombardearam sua segunda cidade, Ganja, em uma nova escalada do conflito no sul do Cáucaso.

A Armênia negou ter disparado contra o Azerbaijão, mas o líder de Nagorno Karabakh, uma região onde a maioria da população é de etnia armênia dentro do Azerbaijão, disse que suas forças destruíram uma base aérea militar localizada em Ganja.

“As unidades militares permanentes localizadas nas grandes cidades do Azerbaijão a partir de agora se tornam os alvos do Exército de defesa”, disse o líder de Karabakh, Arayik Harutyunyan.

O Ministério da Defesa azeri disse que as cidades de Terter e Horadiz perto da fronteira de fato com Nagorno Karabakh estavam sob bombardeios intensos, enquanto os militares da região separatista disseram que sua capital, Stepanakert, estava sob bombardeio.

Imagem divulgada pelo Azerbaijão mostra ataque a caminhão inimigo no conflito de Nagorno Karabakh — Foto: Instagram/Ministério da Defesa do Azerbaijão

No sábado (3), a Armênia anunciou a morte de 51 soldados no sétimo dia de combates entre separatistas da região de Nagorno Karabakh e as forças do Azerbaijão.

A lista dos 51 militares mortos foi publicada no site do governo armênio. O balanço parcial dos combates registra 242 mortes dos dois lados.

A disputa se dá pela região de Nagorno Karabakh, que pertence ao Azerbaijão, mas a maioria da população é de etnia armênia.

Conflito entre Armênia e Azerbaijão se intensifica

Conflito entre Armênia e Azerbaijão se intensifica

Os embates começaram há uma semana e atingiram seu pior nível desde a década de 1990, quando cerca de 30 mil pessoas foram mortas.

O conflito corre o risco de arrastar outras potências regionais, como a Rússia e a Turquia, e interromper o fornecimento de energia através do Sul do Cáucaso, onde oleodutos transportam petróleo e gás azeri para os mercados mundiais.

Mapa República de Nagorno-Karabakh — Foto: Alexandre Mauro/G1

Na quinta-feira, os presidentes da Rússia, França e Estados Unidos pediram o fim do conflito.

O governo da Armênia, que apoia os separatistas, afirmou na sexta-feira (2) que está disposto a trabalhar com o grupo de mediação liderado por Rússia, Estados Unidos e França, para instaurar um cessar-fogo em Nagorno Karabakh.

“Estamos dispostos a um compromisso com os países que presidem o grupo de Minsk na OSCE para restabelecer um cessar-fogo baseado nos acordos de 1994-1995”, afirmou o ministério armênio das Relações Exteriores em um comunicado.

Após este primeiro gesto armênio no sexto dia de hostilidades, o Azerbaijão ressaltou que o conflito tem um propósito: a retirada armênia de Nagorno Karabakh, uma região do Azerbaijão habitada principalmente por armênios e que se separou com a queda da URSS.

“Se a Armênia quer ver o fim dessa escalada deve acabar com a ocupação”, declarou à imprensa Hikmet Hajiyev, assessor da presidência do Azerbaijão.

Macron, que tem relações difíceis com Recep Tayyip Erdogan, disse na quinta-feira que 300 combatentes “jihadistas” deixaram a Síria para se juntar ao Azerbaijão via Turquia. Uma “linha vermelha” para o francês.

“Isso é desinformação”, respondeu o assessor da presidência do Azerbaijão, Hajiyev.

A Rússia havia relatado informações semelhantes, sem acusar diretamente Ancara, com quem tem uma relação complicada, mas pragmática.

Nesta sexta-feira, a porta-voz da diplomacia armênia voltou a afirmar que “o exército turco está lutando ao lado do Azerbaijão”. Alegações rejeitadas pelos interessados.

Uma intervenção direta da Turquia constituiria uma internacionalização deste conflito em uma região, o Sul do Cáucaso, onde várias potências estão em competição: Rússia, Turquia, Irã, países ocidentais.

Nagorno Karabakh, habitada principalmente por armênios, separou-se do Azerbaijão, levando a uma guerra no início da década de 1990 que deixou 30 mil mortos. A frente estava quase congelada desde então, apesar de alguns confrontos regulares, principalmente em 2016.

Ambos os lados ignoraram em grande parte os múltiplos apelos da comunidade internacional desde domingo para baixar as armas.

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