não estava ‘vestido como homem’

não estava ‘vestido como homem’

Um estudante de psicologia denunciou ter sido vítima de crime de homofobia ao ser impedido por um segurança de entrar em um supermercado da rede Wallmart de Itapuã, em Salvador, na noite do último sábado, 19, por “não estar vestido como homem”.

O caso aconteceu porque o jovem, identificado como Marcos Pascoal de Oliveira, não poderia entrar no estabelecimento utilizando o short curto que estava vestido. O segurança do local teria alegado que a peça de roupa ofenderia famílias e crianças presentes no mercado.

“Até esse momento o senhor é homem, tem que ajeitar o seu short. Até esse momento. Homem tem que estar composto, temos várias crianças aqui”, disse o segurança para Pascoal, em vídeo publicado nas redes sociais.

Pascoal questionou por que mulheres poderiam utilizar daquela roupa e chegou a mostrar um tênis de academia que estava usando, alegando ser um traje de esporte.

O segurança então respondeu: “Eu tô falando de homem. Se o senhor me disser qualquer coisa contrária a isso, vai mudar, se quiser dizer o contrário a gente muda”.

 

 

Tentaram me impedir de entrar no supermercado, perguntei o motivo e olha só o show de horrores: Ajudem a divulgar isso! Tenho que ME VESTIR COMO HOMEM porque ofendo crianças. Mas só EU, outras pessoas não. Que nome se dá pra esse tipo de discriminação? Só um adendo: se a opinião de quem está à frente do mercado me acha indigno de entrar ali por causa da minha roupa e que não posso ser visto pelas crianças (sou mau exemplo?), que guarde para si. Quando essa opinião tenta me barrar em um local de acesso público, temos um problema. Explicando toda a situação: Na noite de ontem, ao tentar entrar no Walmart de Itapuã, em Salvador, um funcionário tentou negar a minha entrada porque eu estava com um short curto. Mediante a vergonha da cena, abaixei o short duas vezes perguntando ao funcionário se com aquele tamanho eu poderia entrar. Ele fez sinais gestuais dizendo que não, abaixei mais um pouco, já humilhado naquela situação, e consegui entrar. Na hora da saída, ajeitei meu short e novamente vieram me repreender. Dessa vez, questionei ao segurança do vídeo sobre o porquê de todo esse incômodo comigo e a resposta foi essa que vocês estão vendo. Não gritei, não xinguei e nem agredi ninguém. A única coisa que eu fiz foi fazer perguntas, pedir esclarecimentos. Eu sou um homem gay, negro e pobre. Eu não iria cair na besteira de fazer “barraco” porque a gente sabe qual o lado fraco da corda. E todos nós sabemos que o sistema não dá a mínima para vidas como a minha. Também não posto sem o mosaico nos rostos porque, ao contrário do mural público que a internet parece ser, as pessoas tem o direito de ter sua imagem preservada e eu não quero receber processos por isso. Minha advogada está entrando com uma ação contra o supermercado por todo o vexame que ele me fez passar. É isso, não se calem mas também tentem agir com cuidado nessas situações, se possível. Deixe o outro tropeçar em suas próprias palavras, ele tem que se justificar, não eu. Do mercado, mais preparo e responsabilidade. Dos funcionários, mais humanidade.

Uma publicação compartilhada por Pascoal De Oliveira (@qualfoipascoal) em

A situação foi bastante repercutida nas redes sociais, gerando indignação na maioria dos internautas. Na publicação, Pascoal pediu para que as pessoas não se calem ao passar por este tipo de constrangimento.

“É isso, não se calem mas também tentem agir com cuidado nessas situações, se possível. Deixe o outro tropeçar em suas próprias palavras, ele tem que se justificar, não eu. Do mercado, mais preparo e responsabilidade. Dos funcionários, mais humanidade”, escreveu em publicação no Instagram.

Uma moradora do bairro, que não quis ser identificada, se mostrou indignada e alegou se tratar de crime de homofobia.

“Já vi homens entrando até de sunga nesse supermercado e ele que estava de short foi humilhado? Só tem uma razão: homofobia”, disparou.

Em nota, o Grupo Big, detentora da rede Walmart, informou que o fato é inadmissível e não corresponde aos procedimentos e valores da empresa.

A empresa também alertou que vai tomar as medidas cabíveis, como o afastamento do segurança terceirizado, e que está em contato com Pascoal colocando-se à sua disposição para toda assistência necessária nesse momento. Em entrevista ao Portal A TARDE, Marcos confirmou que foi procurado pela empresa, mas preferiu deixar a comunicação a cargo da sua advogada devido aos trâmites jurídicos.

Ofensa

Um dos momentos mais críticos da filmagem compartilhada pelo estudante de psicologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) é quando o segurança aponta para crianças que estão passando pelo local e afirma, repetidas vezes, que o short do jovem representaria um desrespeito à elas.

“Foi como se eu não pudesse ser visto por elas, como se eu as ofendesse. Isso dói porque é me tratar como uma aberração, eu, alguém que só foi lá com roupa de malhar comprar uma farinha láctea”, declara Pascoal, que diz ter sido o trecho em que mais se sentiu ofendido.

“As crianças não vem ao mundo sabendo dos nossos preconceitos, quem projeta essas coisas nelas são os seus cuidadores. Então, por qual motivo uma criança pode ver uma mulher com as pernas de fora, mas não pode ver um homem? E quem disse que isso é tão desrespeitoso com elas a ponto de não querer que eu entre em um local que todo o público consumidor pode adentrar?”, questiona.

Crime de homofobia

Desde o ano passado que a homofobia (violências voltadas para o publico LGBT+) passou a ser criminalizada, passando a ser punida pela Lei de Racismo (7716/89), que hoje prevê crimes de discriminação ou preconceito por “raça, cor, etnia, religião e procedência nacional”.

Com isso, a homofobia passou a ser um crime inafiançável e imprescritível segundo o texto constitucional e pode ser punido com um a cinco anos de prisão e, em alguns casos, multa.




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Dum Leão

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