Juju Salimeni: ‘A exposição influenciou na minha saúde mental’ – Entretenimento

Juju Salimeni: ‘A exposição influenciou na minha saúde mental’ – Entretenimento


Juju Salimeni começou na televisão pouco mais de 10 anos atrás como panicat do extinto Pânico na TV. Pouco tempo depois, a atual influenciadora, que já apresentou um reality show só para mulheres e acumulou mais de 15 milhões de seguidores na web, precisou encarar a primeira fofoca em que esteve envolvida.


No mês dedicado à prevenção do suicídio e doenças mentais, Juju conversou com o R7 (leia na íntegra abaixo), contou que faz tratamento contra ansiedade e que teve sua primeira crise sem saber do que se tratava.


“Eu não fazia ideia do que era. Precisei sentir várias vezes os sintomas: sensação de desmaio, coração que disparava, não conseguia respirar bem… Até que eu decidi fazer exames gerais para saber se eu tinha algum problema e constatou que eu não tinha nada físico”, relembrou. “Um médico já me orientou e falou que eu deveria procurar ajuda psiquiátrica. Desde então, eu faço acompanhamento”, completou.



Juju foi diagnosticada com ansiedade e, mesmo em tratamento, viu o quadro “evoluir” para depressão. Uma época em que ela só queria ficar isolada no quarto.


“Eu só estava bem e em paz se eu ficasse em casa, deitada na cama, assistindo à TV. Então, sair para os compromissos e gravações era massante para mim. Eu não fazia as coisas com prazer”, disse.




A influenciadora, que entregou já ter sido chamada de “louca” por pessoas que não entendem o que é um transtorno mental, continuou com o tratamento contra ansiedade e garantiu que a ajuda médica, psíquica e espiritual a ajudaram a sair do estado em que se encontrava.


O psicólogo e doutor em neurociência cognitiva, Yuri Busin, explicou um pouco melhor sobre o quadro depressivo.


“Depressão não é somente tristeza, as pessoas confundem muito isso. Ela é uma coisa muito mais profunda e a tristeza é um dos sintomas da depressão. Principalmente, porque a pessoa com depressão permanece em um estado negativo por muito mais tempo”, afirmou.


Os sintomas característicos da depressão são a falta de prazer e de felicidade. Além da alteração no sono, no apetite, falta de força de vontade e, em casos mais graves, “as pessoas não conseguem nem sair da cama para tomar banho”.


O profissional também explicou que existem diversos tratamentos psicológicos e psiquiátricos que podem fazer com que a pessoa fique bem.


O psicólogo reiterou a importância de buscar ajuda: “É uma coisa muito importante e existe saída. Quando forem procurar ajuda, procurem, de fato, um psicólogo, alguém com um CRP (Conselho Regional de Psicologia), porque são pessoas que, de fato, fizeram a formação em psicologia, que tem um maior embasamento para te ajudar mais”.


Confira a entrevista completa com Juju Salimeni:


R7 – Vi que você falou que o seu quadro começou com ansiedade e estresse e que, depois disso, você teve a sua primeira crise de pânico. Como o ‘quadro evoluiu’? 


Juju Salimeni – A minha primeira crise de pânico aconteceu, mais ou menos, em 2009 e eu tinha entrado, recentemente, na TV. Foi quando eu me vi envolvida pela primeira vez em uma polêmica, em fofocas. Um dia, eu acordei e tinham milhares de pessoas falando de mim no Twitter, que era a rede social da época, e isso me deixou muito apavorada porque eu nunca tinha sido alvo de tantas fofocas, de tantas pessoas falando e dando opinião. Depois disso, eu tive várias crises. O quadro evoluiu depois de muitos anos. Eu não percebi. Há mais ou menos uns cinco anos, [o quadro] começou a evoluir e eu comecei a me fechar, a não querer sair, não querer ver pessoas e não querer conviver, sendo que meu trabalho é, justamente, conviver com pessoas. Eu deixei de ser comunicativa e passei a me fechar muito.


R7 – Como você percebeu que era crise de pânico, ansiedade e, posteriormente, depressão? 


Juju – Eu não fazia ideia do que era. Eu precisei sentir várias vezes os sintomas: sensação de desmaio, coração que disparava, não conseguia respirar bem… Até que eu decidi fazer exames para saber se eu tinha algum problema e constatou que eu não tinha nada físico. Um médico me orientou e falou que eu deveria procurar ajuda psiquiátrica. Desde então, eu faço acompanhamento, faz praticamente 10 anos. Quando fui encaminhada para o psiquiatra, a gente constatou que eu tinha crise de ansiedade e de pânico. O pânico foi controlado, eu comecei a fazer uso de remédio diário, tomo até hoje e é um remédio bem tranquilo, não me deu nenhum efeito colateral. Com o uso dele, eu não tive crise de pânico, mas a ansiedade não deixou de fazer parte da minha vida. Eu acredito que, por causa disso, eu evolui para um quadro de depressão. A gente não sabe enxergar até que ponto [a ansiedade] é normal e até que ponto um conjunto de ansiedades, de fatores que me dava muita ansiedade me fez evoluir para depressão. Não tenho nenhum histórico familiar com esse quadro, então, foi bem difícil [entender o que eu tinha].




R7 – Como você se sentia naquela época? Foi a primeira vez na vida que você se sentiu dessa forma?


Juju – A época das crises de ansiedade era, assim, extremamente horrível, porque tem dias de altos e baixos. Eu tinha medos absurdos, uma dependência emocional muito grande de pessoas e isso fez com que o meu quadro evoluisse para a depressão, que foi quando eu me fechei completamente para o mundo. Todo o meu trabalho era feito em modo automático, eu não tinha prazer em trabalhar. Eu trabalhava para pagar as minhas contas. Graças à Deus, eu sempre fui muito abençoada com trabalhos e conquistei muitas coisas mesmo nessa fase. De certa forma, eu focava muito no trabalho, então, eu consegui conquistar muitas coisas na parte profissional. Já na parte pessoal, minhas relações eram péssimas, tanto com amigos, quanto com vivências sociais gerais, relacionamento… Era tudo muito difícil porque eu preferia estar isolada. Eu só estava bem e em paz se eu ficasse em casa, deitada na cama, assistindo TV. Sair para os compromissos e as gravações era massante para mim. Eu não fazia as coisas com prazer.


R7 – Vi você falando que fatores externos, como a exposição da sua vida privada, influenciam na sua saúde mental. Como você aprendeu a lidar com isso?


Juju – Com certeza, os fatores externos e a exposição da minha vida influenciaram muito na minha saúde mental. Porque, uma pessoa anônima sofre com fofocas de amigos, de um bairro, de pessoas próximas. Agora, imagina uma pessoa com a vida pública, sendo que a gente expõe aquilo que a gente quer, mas a gente é julgado por aquilo que também não é exposto. Um relacionamento amoroso, uma polêmica sempre são alvos de críticas, fofocas e opiniões. Antigamente, quando eu comecei na TV, eu, infelizmente, lia as críticas, assistia às matérias, colunas de fofoca, comentários… E isso me fazia muito mal, porque me gerava um sentimento de justiça, uma vontade de você querer se explicar, mas não tem como. O que sai ali na mídia é a verdade para muitas pessoas e a gente não tem muito o que fazer quanto a isso. Eu tomei uma decisão há muitos anos de que eu não assisto, não leio, não escuto nada que sai sobre mim. Se eu der uma entrevista, eu não leio depois, por mais que seja boa. Eu não leio porque sempre existem aqueles comentários que são negativos e a gente se apega, mesmo que a maioria seja bom. Eu não me assisto na TV (risos). Mesmo quando eu trabalhava ainda em TV. Eu gravo e não vejo mais, não gosto. Porque eu também sou perfeccionista e eu me analiso muito e vejo o que poderia ter feito de melhor. Eu nunca faço a menor ideia do que está sendo falado, do que o povo está comentando.


R7 – Você buscou ajuda física, psíquica e espiritual. De qual maneira esses três pilares ajudaram você na sua jornada com depressão? 


Juju – Eu acredito que os três pilares foram extremamente importantes. A ajuda física foi em relação aos meus treinos, à musculação, que eu sou apaixonada e nunca deixei de fazer. Foi a fase que eu mais me dediquei. A ajuda psíquica foi com psiquiátra e psicólogos, eu intensifiquei as terapias e as doses dos remédios também foram ajustadas. A ajuda espiritual eu considero que foi a mais importante, porque eu sou muito ligada à minha religão, e quando eu mais precisei acho que os problemas da minha cabeça e do meu coração foram “tirados com a mão”, com certeza, pela ajuda espiritual.


R7 – E, na sua opinião, por que as pessoas devem procurar ajuda?


Juju – As pessoas devem procurar ajuda, com certeza! E ficar de olho nos sintomas, porque com ajuda é muito mais fácil sair desse problema, falando com as pessoas é muito mais fácil e isso impede que a doença evolua para um grau muito pior, que pode chegar a atitudes fatais. Então, seria interessante que as pessoas pudessem observar a sua volta, os amigos e a família, quem pode ter algum tipo de sintoma. E, para as pessoas que têm [algum transtorno], se comuniquem e falem, procurem ajuda não só das pessoas próximas. Existem vários canais de ajuda hoje em dia. Mesmo que as pessoas mais próximas não querem ajudar, acontece.




R7 – O que te inspirou, inclusive, a falar sobre a depressão com seus fãs e seguidores? Você acha que é importante? Por quê?


Juju – O que me inspirou a falar foi justamente o movimento que a gente vê hoje em dia de muitas pessoas colocando para fora e expondo. É importante as pessoas que têm influência, que se comunicam para milhões de pessoas falarem para que outras saibam que isso acontece com qualquer pessoa, famoso ou não. Então, todo mundo pode passar por isso. É interessante que, muitas vezes, quando eu falo, recebo mensagens de muita gente falando que não sabia o que estava sentindo e que agora sabe. Então, a gente pode ajudar falando. Quanto mais for falado de forma positiva, as pessoas vão se inspirando e eu acredito que pode ser a salvação para muitas pessoas.


R7 – Você já sofreu algum tipo de ‘preconceito’ por sofrer com depressão? 


Juju – Não digo preconceito, mas eu sofri com pessoas muito próximas que não acreditavam no que eu estava sentindo, não enxergavam a gravidade do problema e tinham aquilo como uma frescura. Fui chamada de louca diversas vezes… Neurótica, chata, insuportável, nojenta e veio de pessoas extremamente próximas a mim. Foi terrível. Mas a gente não pode querer também que todo mundo entenda. Só entende quem passa e é uma coisa que não desejo para ninguém no mundo. Porque é uma doença, é extremamente séria. Muitas vezes, as pessoas são ignorantes e não sabem lidar ou não têm a compaixão e empatia de entender o problema do outro. Realmente, foi muito difícil, mas eu tive apoio de outras pessoas que sempre vão estar no meu coração e o que eu sempre falei, na época da minha recuperação, é que: não importa qual é a batalha, qual é a guerra você está travando, o que importa é quem está do seu lado, quem está ali batalhando com você. Essas pessoas são as que a gente têm que guardar e levar para sempre, porque elas enfrentaram a pior fase da sua vida. Eu tenho comigo, no meu coração, as pessoas que eu sei que estiveram lá e eu sempre vou ter toda a gratidão por elas.


*Estagiária do R7, sob supervisão de Camila Juliotti


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Dum Leão

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