Pena de morte gera indignação no Irã após execução de jovem atleta | Mundo

Pena de morte gera indignação no Irã após execução de jovem atleta | Mundo

O Irã executou um lutador mesmo com mobilização internacional em torno do caso, o que demonstra sua determinação em ignorar a indignação e os protestos contra a pena de morte, alertam ativistas dos direitos humanos.

Navid Afkari, um lutador iraniano de 27 anos que ganhou várias competições nacionais, foi executado no sábado após ser condenado à morte conforme o “qesas”, ou “lei do talião”, pela morte de um funcionário, apunhalado em 2 de agosto de 2018, durante as manifestações contra o governo no sul do país.

Mulher segura foto do lutador iraniano Navid Afkari durante manifestação na Praça Dam, em Amsterdã, na Holanda, neste domingo (13) — Foto: Evert Elzinga / ANP / AFP

O veredicto contra o lutador gerou indignação. O apoio ao atleta surgiu rapidamente tanto no Irã quanto no exterior, especialmente depois que informações afirmaram que Afkari foi condenado por uma confissão obtida sob tortura. Teerã nega essas acusações.

A execução do atleta foi denunciada nas redes sociais e no exterior. O Comitê Olímpico Internacional (COI) afirmou ter ficado chocado com a morte e considerou profundamente lamentável que todos os apelos de atletas e organizações do mundo não foram ouvidos.

Irã executa lutador condenado por matar segurança durante protestos

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Os defensores dos direitos humanos criticam o sistema judicial do país por ter ignorado as declarações de Afkari nas quais afirmava que sua confissão foi resultado de tortura que incluiu espancamentos, asfixia com saco plástico ou a introdução de álcool pelo nariz.

O segundo país que mais aplica a pena de morte no mundo

A República Islâmica recorre cada vez mais à pena de morte, principalmente depois dos protestos anti-governo.

O Irã é, depois da China, o país que mais aplica a pena de morte no mundo.

Tara Sepehri Far, pesquisadora sobre o Irã na Human Rights Watch, considera incomum a rapidez com a qual o veredicto foi executado. Afkari foi condenado em outubro de 2019 e a decisão foi confirmada em apelação em abril.

“Uma parte do governo (iraniano) pensa que considerar a indignação internacional seria retroceder e poderia torná-lo mais vulnerável”, explica esta especialista à AFP.

“Também existe um movimento contrário à pena de morte crescente no interior do Irã, contra esses veredictos pronunciados nos casos relacionados às manifestações”, afirma ela.

Em julho, a Justiça iraniana anunciou que suspendia a pena capital de três jovens acusados de vandalismo e piromania nos protestos de 2019, após uma campanha de alcance inédito para exigir a eliminação de sua execução.

Segundo o advogado de Afkari, havia uma reunião com a família da vítima prevista para o domingo, para “pedir perdão” e evitar a aplicação da pena capital, que ocorreu no sábado.

“As autoridades temiam que o preço político de esperar mais uma semana poderia ser muito prejudicial”, comenta Mahmood Amiry-Moghaddam, fundador da ONG Iran Human Rights, com sede em Oslo.


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