Trump fora da bolha | Blog da Sandra Cohen

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Fora da bolha de partidários fiéis que fazem coro e vibram diante da mais falsa de suas afirmações, o presidente Donald Trump encarou eleitores indecisos na Pensilvânia, a quem repetiu os argumentos de sempre, num tom mais comedido: a pandemia do novo coronavírus está superada, o vírus é chinês, a vacina chegará em semanas, a lei e a ordem estão restauradas no país, exceto nas cidades administradas pelos democratas.

A sete semanas das eleições e 14 dias antes do primeiro confronto com Joe Biden, o presidente fez elogios a si próprio e culpou os outros pelo que não funcionou. Em uma hora e meia de debate, assegurou não ter arrependimento sobre a forma como manejou a pandemia, que matou quase 200 mil americanos. Se preciso fosse, faria tudo de novo. Poderia ter feito mais?

“Acho que não. Acho que com o que fiz, como fechar o país, salvei duas, talvez duas e meia, ou até mais, de vidas. Acho mesmo que não. Acho que fizemos um trabalho muito bom. Não sei se isso foi reconhecido.”

Trump desfiou seu rosário de certezas num palco pantanoso para sua campanha. Em 2016, ele venceu na Pensilvânia por uma margem de 0,7% quebrando a primazia democrata em seis eleições consecutivas. Porém, está 4 pontos atrás de Biden na média das pesquisas no estado, de acordo com o site Real Clear Politics. Em algumas sondagens, como a da CNN, Biden lidera por 9 pontos.

Com 20 votos no Colégio Eleitoral, o estado é considerado, no momento, o mais importante da eleição, pela plataforma FiveThirtyEight. Segundo o modelo, uma vitória em novembro dá a Biden 96% de chances de ganhar a presidência e a Trump, 84%.

GloboNews Debate discute as eleições presidenciais nos EUA

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Assim como o presidente, caberá ao candidato democrata enfrentar, nesta quinta-feira, os eleitores indecisos da Pensilvânia. Para Trump, o encontro promovido pela emissora “ABC” serviu como termômetro para aferir o estado de sua Presidência. Ele se esforçou para parecer moderado, demonstrando solidariedade por uma imigrante da República Dominicana que perdeu a mãe com câncer, no mês passado, sem conseguir realizar o sonho de tornar-se cidadã americana. Ou pelos mortos pela Covid.

Foi pressionado por eleitores sobre a pandemia e questões raciais, mas deixou claro que prefere ver a nação dividida, ao referir-se como democratas estados e cidades governados por opositores. A insistência levou o moderador George Stephanopoulos a provocá-lo, num diálogo que deu a medida da realidade fantasiosa expressa pelo presidente.

“Por que o senhor continua falando sobre estados democratas? São estados americanos.”

“São os que vão mal. Se você olhar para as cidades realmente problemáticas em nosso país, elas são dirigidas por democratas. Eles são fracos, são ineficazes. Isso é Biden.”

Distante da plateia habitual, da deferência e das claques que caracterizam os comícios, Trump foi duramente questionado por indecisos. Num dos momentos mais inusitados do debate, disse que se a vacina não vier a tempo, a Covid-19 simplesmente desaparecerá pela “mentalidade de rebanho”.

Provavelmente ele referia-se ao conceito de imunidade de rebanho, que ocorre quando o contágio cessa porque a maioria da população está imune ao vírus. Especialistas estimam que dificilmente será alcançada nos EUA. Do contrário, representaria o alto custo de um milhão de vidas.

Mas talvez Trump aspire à mentalidade de rebanho — a que leva as pessoas a agirem como numa turba, de forma emocional e não racional — para erradicar a pandemia, como se não representasse ameaça real à sua reeleição.


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Dum Leão

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