“Estamos trabalhando com um governo confuso e indeciso”, diz Otto sobre Jair Bolsonaro

“Estamos trabalhando com um governo confuso e indeciso”, diz Otto sobre Jair Bolsonaro

Relator do texto do Projeto de Lei nº 4.078/2020, que estabelece que todos os recursos federais repassados a estados e municípios não aplicados em 2020 poderão ser gastos até 31 de dezembro de 2021, o senador Otto Alencar (PSD-BA) informou que caso a matéria seja aprovada pelo Congresso passaria sem vetos também pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Contudo, o parlamentar baiano também afirmou não confiar que isso possa ocorrer.

“Já chegamos a fazer acordos do governo aprovar sem vetos, mas, por se tratar de um governo inseguro, termina vetando”, explicou Otto, em entrevista na manhã desta quarta-feira, 16, para o ‘Isso é Bahia’, na rádio A TARDE FM.

“Nós estamos trabalhando com um governo muito confuso e muito indeciso. Nunca vi na história do Brasil um presidente fazer um veto às multas das igrejas que foram colocadas no projeto do Senado e da Câmara, aprovada em Congresso, e depois pediu para o Congresso derrubar o próprio veto”, completou.

Sob a relatoria do senador Otto Alencar, o texto, além de ampliar o prazo para gastar o dinheiro, permite que os recursos sejam usados para qualquer finalidade. Normalmente, depois de devolvido à União, o saldo pode ser usado no ano seguinte para outros fins, mas, no ano em que foi repassado, só pode ser aplicado com o objetivo definido no repasse.

De acordo com Otto, estes recursos, no valor de R$ 28,6 bilhões, serão destinados, principalmente, às ações de saúde em várias frentes. Foi sugerido, também, que fosse colocado no período de vacinação, mas depois julgou-se que não seria necessário. “Chegando este momento, o Ministério da Saúde vai ter o recurso para imunizar a população”.

No texto original de Simone Tebet (MDB-MS), a ampliação do prazo só valia para os recursos vinculados às áreas de assistência social e saúde e voltados ao combate dos “efeitos sociais adversos da pandemia”.

Otto Alencar, no entanto, a partir de duas emendas, de Rogério Carvalho (PT-SE) e Wellington Fagundes (PL-MT), decidiu ampliar o prazo para todos os repasses feitos entre a data da publicação da lei e 30 de dezembro de 2020, não importando o destino inicial dos recursos. O senador também definiu prazo de 120 dias para que os órgãos e entidades da União atualizem os sistemas relativos às transferências e estabeleceu que o novo prazo não isenta estados, municípios e o Distrito Federal de prestarem contas da aplicação do dinheiro.

Por fim, o relator inseriu item que proíbe a União de solicitar a devolução dos recursos durante o prazo estendido, exceto quando houver indícios de desvio do dinheiro recebido.

Pazuello como ministro

Otto também critica a efetivação de Eduardo Pazuello como ministro da Saúde e alega não entender as motivações do presidente Jair Bolsonaro com esta escolha.

“Reconheço que o Pazuello fez um esforço muito grande, mas ele é uma pessoa do setor técnico e não entende do ministério. Não entendo porque Bolsonaro não escolhe um técnico para o cargo. As ações do ministério são amplas e múltiplas da área da saúde, mas coloca uma pessoa da área de logística para distribuir – veja só, só para distribuir – os equipamentos e medicamentos”, comenta o senador.

General do Exército, Pazuello é especialista em logística. O militar foi coordenador logístico das tropas do Exército durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, além de ter coordenado as operações da Operação Acolhida, que presta assistência aos imigrantes venezuelanos que chegam a Roraima fugindo da crise política e econômica no país vizinho.

Depois de quatro meses como ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello será efetivado no cargo de ministro da Saúde. Nesses quatro meses, Pazuello defendeu o tratamento precoce de covid-19 e a autonomia de estados e municípios na adoção de políticas de isolamento social.

Com ele à frente da pasta, o Ministério da Saúde estabeleceu uma nova diretriz com orientações para o uso precoce da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19, inclusive para casos leves. Ao mesmo tempo, o ministro destacou que não vê nada de errado em questionar o uso do fármaco para esse fim.

Mudanças em um ano

A entrevista com o senador Otto faz parte das comemorações na semana de um ano do ‘Isso é Bahia’. Em sua estreia, no dia 16 de setembro do ano passado, o senador foi o primeiro entrevistado do programa.

Quando questionado sobre as principais mudanças que ocorreram no Brasil e na Bahia no período de um ano, Otto destacou que no país a maior mudança foi no governo Federal.

“No Brasil deu para perceber uma mudança radical. Porque se mudou para um governo com uma conotação política e ideologica de extrema direita, com aplicação de várias atividades que, na minha opinião, são controversas e não atendem o que o Brasil precisa. É um governo que não estabilidade e é confuso”, pontua.

Já na Bahia, Otto parabenizou o governo de Rui Costa (PT) neste ano que se passou. “O governador Rui Costa continuou no mesmo ritmo de trabalho neste ano que se passou. O que mudou foi o foco na saúde para dar assistência aos pacientes com Covid-19”, finaliza.




Compartilhe
Comente

Dum Leão

dumleao

Acesse e confira produtos incríveis…
Participe desse experiência.
3Cs – Confira! Compre! Compartilhe!