Ditador de Belarus se curva a Putin | Blog da Sandra Cohen

Ditador de Belarus se curva a Putin | Blog da Sandra Cohen

Sem ter como acalmar a revolta popular que convulsiona Belarus desde as eleições, o ditador Alexander Lukashenko finalmente pediu arrego ao presidente da Rússia. Obteve, de Vladimir Putin, um empréstimo de US$ 1,5 bilhão para atenuar a crise econômica. A ajuda, contudo, deverá significar um alto preço para o agora enfraquecido todo-poderoso de Minsk, que até recentemente esnobava a influência do homem-forte de Moscou em sua seara.

No balneário de Sochi, onde ambos se reuniram por quatro horas, ficou implícito que em troca do apoio político e financeiro, Putin cobrará a fatura. Prevê-se que a integração entre os dois países será mais profunda do que a atual, nos moldes do acordo assinado há 23 anos. Lukashenko resistiu o quanto pôde a uma união fiscal, política e econômica com o vizinho e nunca implementou a fusão.

Não basta a Rússia ser o maior investidor de Belarus, arcando com mais de metade do faturamento de seu comércio exterior. Pelo território bielorusso passam um quinto do gás e 25% do petróleo oriundos da Rússia para a Europa. Sua localização serve também como um anteparo entre a Rússia e as tropas da Otan instaladas na União Europeia. Em 26 anos no comando do país, o ditador se valia desta estratégia para jogar com os europeus e escapar da órbita russa.

Funcionou até os protestos gigantescos que desataram em agosto na esteira apuração das eleições. De acordo com o regime — não havia observadores internacionais — Lukashenko conquistou o sexto mandato com 80% dos votos.

Presidente da Belarus visita Vladimir Putin em busca de apoio para se manter no cargo

Presidente da Belarus visita Vladimir Putin em busca de apoio para se manter no cargo

A opositora Svetlana Tijanovskaya foi forçada a refugiar-se na Lituânia, outros líderes opositores foram presos, mas os manifestantes não esmoreceram, apesar da força bruta das tropas do ditador.

Debilitado internamente e sem apoio da UE, Lukashenko correu na direção da Rússia, a quem agora se refere como o irmão mais velho. Desdobrou-se em subserviência. “Um amigo está em apuros e digo isso sinceramente.” Nas ruas de Minsk, manifestantes interpretaram, em cartazes, a nova jogada do ditador: “Não vamos deixar que ele venda o país”.

Putin deixou nas entrelinhas o apoio a uma reforma da Constituição e a novas eleições em Belarus. Melhor apostar em alguém que lhe inspire credibilidade. Aliado de ditadores como o sírio Bashar al-Assad, o venezuelano Nicolás Maduro, o norte-coreano Kim Jong-un e de regimes autocráticos como o do Irã, o presidente russo sinalizou que, embora não confie em Lukashenko, garantirá uma sobrevida a ele.


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