CL Empreendimentos nega responsabilidade pela tragédia de Mar Grande

CL Empreendimentos nega responsabilidade pela tragédia de Mar Grande

Após o Tribunal Marítimo  condenar o engenheiro, o proprietário e a empresa CL Empreendimentos, dona da lancha Cavalo Marinho I, pelo naufrágio na travessia Mar Grande-Salvador, a empresa disse que não é responsável pela tragédia, que seria um fato imprevisível.

Os representantes da CL Empreendimentos informaram que, dependendo da decisão do TM, vão recorrer à Justiça Federal, apresentando material que provaria perícia mal feita na embarcação.

As informações foram apresentadas durante uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira, 4. Os representantes da CL Empreendimentos informaram que o acidente ocorreu após uma sequência de três ondas.

Segundo eles, a força das ondas que gerou o acidente, exemplificando com duas mortes no naufrágio causadas por traumatismo craniano, em vez de afogamento.

Já o Tribunal Marítimo concluiu que o tombamento seguido de naufrágio parcial da embarcação foi provocado por uma instabilidade devido a problemas estruturais na lancha. Após passar por reforma, a lancha não foi submetida à prova de inclinação e estudo de estabilidade, o que teria detectado o problema.

Tudo isso, somado à concentração de um número grande de pessoas no convés superior e um menor no inferior – a quantidade estimada pelo comandante foi de 91 passageiros e quatro tripulantes no convés superior e 25 passageiros no convés inferior – que se deslocaram a fim de se protegerem da chuva e do balanço das ondas acabaram causando o acidente.

Conforme a decisão unânime dos juízes do Tribunal Marítimo, o comandante da embarcação, Osvaldo Coelho Barreto, não foi declarado culpado. O engenheiro e técnico responsável pela lancha, Henrique José Caribé Ribeiro, foi condenado à interdição da função de responsável técnico em todas as Capitanias dos Portos pelo período de cinco anos.

Já Lívio Garcia Galvão Júnior, dono da CL Empreendimentos e sócio-administrador da empresa armadora da lancha, deverá pagar uma multa de R$ 10.860, valor a ser corrigido pelo setor de execução do Tribunal Marítimo. Para a CL Empreendimentos, a pena foi o cancelamento do registro de armador.

O caso

A lancha Cavalo Marinho I naufragou aproximadamente 15 minutos após sair do cais de Mar Grande, em Vera Cruz, no início da manhã de 24 de agosto de 2017.

Em janeiro de 2018, a Marinha concluiu o inquérito e constatou que o acidente ocorreu por diversas negligências que poderiam ter sido evitadas com fiscalização. A principal delas, atribuída ao proprietário da empresa e ao engenheiro, foi a colocação de 400 kg de lastros, no fundo da lancha.

Utilizados para fazer manobras, os objetos feitos de concreto foram deixados soltos abaixo da sala de comando e deslizaram dentro a Cavalo Marinho I, o que contribuiu “negativamente para a capacidade de recuperação dinâmica da embarcação”.

Lívio Garcia, Henrique José Ribeiro e Osvaldo Barreto acabaram apontados como “os possíveis responsáveis diretos”. Lívio e Henrique por negligência, e Osvaldo por imprudência por conta das condições climáticas do dia do acidente.

Ao longo do processo, os representados chegaram a interpor dois recursos sucessivamente. Após o julgamento do último no último dia dois de julho, o juiz relator Nelson Cavalcante e Silva Filho, pediu pauta para julgamento, chegando até esta quarta-feira, 20.




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