Rússia não reage a ameaças pelo caso Navalny e levanta hipóteses sobre doença de opositor sem apresentar evidências | Mundo

Rússia não reage a ameaças pelo caso Navalny e levanta hipóteses sobre doença de opositor sem apresentar evidências | Mundo

O governo russo não só ignorou a pressão dos países ocidentais como mostrou ceticismo sobre a hipótese de envenenamento.

Alexei Navalny foi envenenado com Novichok

Alexei Navalny foi envenenado com Novichok

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) pediu explicações a Moscou, a União Europeia ameaçou impor sanções e na Alemanha fala-se em interromper um projeto de construção de um duto de óleo e gás entre os dois países. Para os russos, esses apelos não mudam nada.

O porta-voz da presidência, Dmitri Peskov disse que os especialistas do país investigam diferentes possibilidades para descobrir qual é a causa do mal que Navalny sofre, entre elas o envenenamento. “De acordo com nossos médicos, esta pista não foi confirmada, e outras estão sendo examinadas”, disse.

O ministro do Interior, Vladimir Kolokoltsev, disse que “não há nenhuma razão” para pensar que um crime foi cometido.

Nos últimos dias, as autoridades russas afirmaram que Moscou não deveria ser culpada por nada e que qualquer sanção seria inadmissível e representaria uma “politização” do caso.

Navalny pode ter se exposto muito ao sol, dizem russos

Na mídia russa, defensores do governo têm lançado alternativas sobre o que pode ter acontecido com Navalny, sem apresentar nenhuma evidência. Uma reportagem do “The New York Times” relata que na mídia estatal há comentaristas que falam que ele mesmo poderia ter se envenenado ou que os alemães poderiam ter feito isso e até mesmo que não houve envenenamento nenhum.


O porta-voz do Kremlin, que nunca menciona o nome de Alexei Navalny, também comentou que os serviços secretos russos estavam analisando as afirmações do presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, de que seu país interceptou uma conversa entre Berlim e Varsóvia que prova que o envenenamento foi uma falsificação.

Navalny, um advogado de 44 anos conhecido por suas investigações sobre a corrupção na elite política russa, passou mal em 20 de agosto durante um voo e foi internado em um hospital de Omsk, na Sibéria. Dois dias depois, ele foi transferido a Berlim, por pressão da família.

Peskov, o porta-voz do governo russo, afirmou que o hospital de Omsk “apresentava informações mais detalhadas e com mais frequência que Berlim sobre o estado do paciente”. Ele também disse que os médicos russos são mais transparentes que os alemães.

O toxicologista-chefe da região de Omsk, Alexander Sabayev, afirmou que Navalny pode ter sido vítima de um problema de digestão, de álcool ou de cansaço, mas não de um veneno. “Seu organismo não reagiu ao veneno, porque não havia. É evidente”, disse.

O especialista russo considera que a súbita deterioração da saúde de Navalny pode ter sido provocada por “qualquer fator externo, incluindo o simples fato de não ter tomado café da manhã” ou problemas de digestão.

“A situação pode ser causada não apenas por uma dieta alimentar, mas talvez também pelo consumo excessivo de álcool, do qual não temos conhecimento. Também pode ter sido provocado por estresse ou fadiga ou um longo período de exposição ao sol ou, ao contrário, um resfriado”, acrescentou.

Oposição russa se pronuncia

Ivan Jdanov, diretor do Fundo de Luta contra a Corrupção (FBK) em Mocou – ONG fundada por Navalny-, afirmou que o Kremlin multiplicaria os esforços para desacreditar a hipótese de tentativa de assassinato.

“O Estado russo imaginará as versões mais absurdas, mais insensatas, para explicar o que aconteceu. É sua forma de trabalhar”, declarou Jdanov em uma entrevista à AFP.

Alemanha diz que há provas inequívocas

O governo alemão afirma ter provas inequívocas de que o opositor russo, hospitalizado em Berlim, foi envenenado com um agente do tipo do novichok. A chanceler Angela Merkel exigiu explicações à Rússia.

O novichok já havia sido utilizado contra o ex-agente duplo russo Sergei Skripal e sua filha na Inglaterra há dois anos. De acordo com as autoridades britânicas, o GRU, serviço de inteligência militar russo, era o principal suspeito.

O secretário-geral da Otan, Jess Stoltenberg, pediu nesta sexta-feira à Rússia que coopere plenamente com a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) em uma “investigação internacional imparcial”, sobretudo levando consideração que a organização proibiu o novichok.


Compartilhe
Comente

Siga-me no Instagram @dumleao

Dum Leão

dumleao

Acesse e confira produtos incríveis…
Participe desse experiência.
3Cs – Confira! Compre! Compartilhe!