Extrema direita se aproveita da pandemia na Alemanha | Blog da Sandra Cohen

Extrema direita se aproveita da pandemia na Alemanha | Blog da Sandra Cohen

Desde o início da pandemia, a extrema direita alemã tira proveito do aumento do número de casos do novo coronavírus — cerca de 1.500 novos infectados por dia no país — para incitar protestos contra as medidas para conter a doença. Neste fim de semana, foi longe: em nome de uma visão distorcida da liberdade, uma multidão tentou invadir a emblemática sede do Parlamento — o prédio queimado em 1933 pelos nazistas.

Os manifestantes agitavam bandeiras da Reich alemão de 1871-1918 e pediam o retorno à Constituição do Império. Liberdade para este grupo significa também negar os efeitos da pandemia e ir contra a obrigatoriedade do uso de máscaras em transportes públicos, lojas, bibliotecas e escolas. Na semana passada, o governo estipulou uma multa de 50 euros a quem não portar máscaras nos locais onde é obrigatório.

Como resumiu o ministro do Interior, Horst Seehofer, pluraridade de opiniões é uma característica do bom funcionamento da sociedade. “Mas a liberdade de reunião atinge seus limites quando as regras públicas são espezinhadas.”

As marchas anti-Covid são fomentadas pelo partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), a terceira força política no Parlamento alemão e maior bancada da oposição. Com 12% dos assentos, a legenda se fortaleceu na onda anti-imigração, no antissemitismo, na islamofobia e na rejeição à chanceler Angela Merkel.

Mas há outros grupos extremistas que articulam o movimento negacionista da Covid-19: a plataforma Querdebken 711, radicada em Sttutgart, com mais de 16 mil seguidores no Facebook; e a revista Compact, que vem promovendo as manifestações e teve suas contas removidas do Facebook e do Instagram.


Polícia contém manifestantes que protestavam em Berlim, Alemanha, no domingo (30), contra medidas de prevenção adotadas no combate ao coronavírus — Foto: Christoph Soeder/dpa via AP

A publicação de extrema direita, que serve de propaganda para o AfD, descreveu as restrições ao coronavírus no país como parte de uma ditadura.

As imagens do último fim de semana — que misturavam um amplo espectro de extremistas radicais, neonazistas e manifestantes contra a vacinação — são assustadoras, embora a extensão do movimento ainda seja minoritária. Provocaram imediatamente uma enorme indignação de partidos políticos e protestos de outros grupos contra a intolerância.

Pesquisas de opinião mostram que apenas um em cada dez alemães rejeita as medidas de prevenção determinadas pelo governo para conter a propagação do novo coronavírus. Isso não é suficiente, tampouco tranquilizador. Como descreveu o jornalista Hans Pfeifer, da Deutsche Welle, a narrativa da direita está se infiltrando cada vez mais no centro da sociedade alemã:

“Este é o perigo real de tais ações diante do Reichstag: que cidadãos e cidadãs subestimem sua grande influência e as consequências perigosas que elas podem ter. Não hoje, não amanhã – mas depois de amanhã.” A Hungria e a Polônia, por exemplo, pagaram para ver e se renderam a modelos políticos calcados no nacionalismo

PLAYLIST com vídeos da cobertura de Mundo do G1


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