Comissária da ONU para direitos humanos diz que ataque contra jornalistas sinaliza que autoridades não incentivam busca da verdade | Mundo

Comissária da ONU para direitos humanos diz que ataque contra jornalistas sinaliza que autoridades não incentivam busca da verdade | Mundo

O risco de infecção pelo coronavírus é maior se as pessoas não tiverem acesso à informação precisa e de confiança, mas jornalistas sofrem censura, vigilância, intimidação e ataques físicos, afirmou Michelle Bachelet, a alta comissária da ONU para direitos humanos, em um discurso nesta terça-feira (1º).

Ela não citou nenhum país em seu discurso e nem mesmo algum incidente específico. Ao ser questionado, o porta-voz de Bachelet disse que os comentários da alta comissária também se aplicam ao cenário do Brasil.

Em um dos trechos, ela afirmou: “Nenhum jornalista ou profissional de imprensa deveria ser criminalizado ou assediado por suas reportagens. Cada prisão e cada ataque contra jornalistas envia uma mensagem à sociedade: a busca pela verdade e o direito à informação e à expressão e à participação não são protegidos pelas autoridades”.

A TV Globo exibiu uma reportagem na segunda-feira (31) em que mostrou a ação da prefeitura do Rio de Janeiro para atrapalhar o trabalho da imprensa. O governo municipal do Rio emprega pessoas nas portas de hospitais para impedir o trabalho da imprensa –eles se organizam em um grupo chamado “Guardiões do Crivella”.


No mês passado, o presidente Jair Bolsonaro afirmou a um jornalista que estava com vontade de “encher” a boca dele “na porrada”. O presidente deu a declaração após ter sido questionado por um repórter do jornal “O Globo” sobre cheques de Fabrício Queiroz para a primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Bachelet terminou seu discurso afirmando que ela pretende honrar a coragem daqueles que, apesar dos ataques, continuam a investigar e fazer reportagens críticas sem medo.

O acesso à informação confiável não só é um direito humano fundamental; além disso ele possibilita que a população tenha acesso a outros direitos, afirmou Bachelet.

Imprensa livre durante a Covid-19

Com a pandemia, a comunicação livre também beneficia o governo, disse a comissária: os relatórios da mídia são um instrumento essencial para as autoridades de governo rapidamente aprenderem quais medidas são adequadas e quais as principais preocupações do público.

Por causa da Covid-19, as autoridades precisam saber onde há deficiências e falta de equipamento, quais hospitais estão sobrecarregados ou quais as minorias são afetadas de forma desproporcional.

Mulheres são mais vulneráveis

A segurança dos jornalistas e a capacidade deles de apurar e divulgar informação sem censura ou ameaça é um elemento vital para o cumprimento das metas para uma agenda sustentável, disse Bachelet. Mas jornalistas pelo mundo enfrentam censura, vigilância, repressão, intimidação e ataques físicos, ela continuou. “Frequentemente isso parece ser perpetrado pelo crime organizado, por grupos armados ou outros atores privados –inclusive empresas–, mas essas ações podem ser instigadas ou condenadas por oficiais do governo.”

As jornalistas mulheres, afirmou a comissária, sofrem um risco maior de serem alvos, inclusive com ameaças de violência sexual e campanhas de ódio. “E esses crimes contra jornalistas, inclusive casos de homicídio, frequentemente são gerenciados de forma inadequada por investigações e processos.”

Apesar de não fazer referência explícita a nenhum país, um dos trechos parece ser direcionado à China.

“Alguns governos aparentemente aproveitaram a crise de saúde pública como uma desculpa para uma perseguir mais, e de forma injustificada, os dissidentes e críticos em seus países.”

Ela então lista as medidas: fechamento de sucursais de meios de imprensa, fechamento de sites, desconexão da internet em regiões, prisões arbitrárias de jornalistas em centros de detenção lotados.

A China revogou as credenciais de americanos de três grandes jornais dos Estados Unidos em março deste ano.

“Essas práticas restringem o usufruto da liberdade de imprensa da mídia e são contrários à lei internacional.”


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