Montenegro tem eleições em ambiente tenso por disputa com Igreja Ortodoxa sérvia | Mundo

Montenegro tem eleições em ambiente tenso por disputa com Igreja Ortodoxa sérvia | Mundo

A população de Montenegro votou, neste domingo (30), em eleições legislativas que põem à prova três décadas de governo do partido do presidente pró-Ocidente, Milo Djukanovic, que enfrenta uma oposição apoiada pela poderosa Igreja Ortodoxa sérvia.

As seções fecharam às 15h (de Brasília), sem o registro de incidentes importantes durante o dia de votação, apesar de a polícia ter alertado para possíveis tumultos durante o pleito.

A participação uma hora antes do fechamento das urnas era de 75%, enquanto nas eleições anteriores, em 2016, 71% dos montenegrinos foram votar, segundo dados da comissão eleitoral.

Bispo da Igreja Ortodoxa Sérvia Amfilohije Radovic usa máscara ao votar na cidade de Cetinje nas eleições parlamentares de Montenegro neste domingo (30) — Foto: Savo Prelevic/AFP

Os eleitores tiveram que usar máscaras e respeitar as medidas de prevenção em uma votação marcada pelo impacto econômico da crise do novo coronavírus e uma campanha eleitoral tensa.

Djukanovic, de 58 anos, comanda Montenegro, país menos populoso dos Bálcãs, quase ininterruptamente desde o fim da era comunista, no início dos anos 1990. Alguns o consideram um reformista dinâmico. Outros, um autocrata corrupto.


Sua sigla, o Partido Democrático dos Socialistas (DPS), nunca perdeu uma eleição e Djukanovic conduziu Montenegro à independência da Sérvia, em 2006; à Otan, em 2017; e às portas da União Europeia.

Porém, o confronto nas urnas com uma oposição de direita pró-Sérvia, em favor do fortalecimento dos laços com Belgrado e com Moscou, parece difícil. No Parlamento que encerra a legislatura atual, ele já conta com uma escassa maioria.

“Espero que tudo vai sair bem, sem nenhum problema”, afirmou o eleitor Branislav Sofranc, de 59 anos, na capital, Podgorica.

Presidente de Montenegro, Milo Djukanovic, dá entrevista coletiva perto de local de votação em Podgorica neste domingo (30) — Foto: Savo Prelevic/AFP

Há tempos, Djukanovic enfrenta acusações de corrupção, de controle do Estado e de ligações com o crime organizado, mas a campanha eleitoral acabou se concentrando em outras questões: sua disputa com a Igreja Ortodoxa Sérvia (SPC) e debates sobre identidade.

A disputa eclodiu no final de 2019, com a adoção de uma lei de liberdade religiosa que abre caminho para que o Estado assuma o controle de centenas de igrejas e mosteiros administrados pela Igreja Ortodoxa sérvia. Maioria em Montenegro, sua sede é em Belgrado.

De acordo com o censo de 2011, quase 30% dos habitantes do país se declaram sérvios.

Com bandeiras que representam a Sérvia, opositores do governo de Montenegro protestam em frente a igreja ortodoxa em Podgorica em 23 de agosto — Foto: Savo Prelevic/AFP

A aprovação da lei levou a manifestações em massa em forma de procissão, lideradas por autoridades religiosas e apoiadas pela oposição.

Durante a campanha, o arcebispo Amfilohije, chefe da Igreja Ortodoxa sérvia de Montenegro, declarou na semana passada que a instituição “não tem partido”, mas “naturalmente opta por aqueles que estão contra esta lei e defendem os lugares sagrados”.

Djukanovic considerou isso uma “ameaça à soberania” e chamou a oposição de “infantaria política do grande nacionalismo sérvio”.

Depois de votar, neste domingo, o presidente disse estar confiante em que sua legenda manterá a maioria, apesar das “tentativas, de fora de Montenegro, de gerar tensão”.

O alerta lembra as eleições legislativas de 2016, marcadas pela prisão de cerca de 20 ativistas que se opunham à adesão do país à Otan. Eles foram acusados de planejar um golpe com o apoio da Rússia. Moscou negou à época.

A Igreja ortodoxa anunciou na noite deste domingo que “não está prevista nenhuma concentração organizada” pela instituição e pediu aos montenegrinos que fiquem em casa.

Apoiadores do governo de Montenegro saem em carreata com bandeiras do país em Podgorica na quinta-feira (27) — Foto: Savo Prelevic/AFP

O líder da principal coalizão pró-sérvia, Zdravko Krivokapic, assegurou que queria enviar “uma mensagem de paz” e declarou também que “chega um novo dia para Montenegro, que tomará outro caminho”.

A expectativa é de um resultado apertado entre os dois blocos. Diante disso, vários partidos “nanicos”, interessados na economia, castigada pela pandemia, e nas decisões do Estado de direito, poderão ter um papel decisivo na formação do novo governo, avalia o analista Milos Besic.

O desemprego afeta 18% da população economicamente ativa e o salário médio é de 520 euros. As consequências da pandemia acertaram um golpe no setor do turismo, que gera quase um quarto do PIB nacional.

Montenegro é o país dos Bálcãs mais avançado nas negociações para aderir ao bloco europeu, mas a corrupção, a liberdade de imprensa e o crime organizado continuam a preocupar Bruxelas.

Entre a população, nota-se certo cansaço após quase três décadas sem alternância política.

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Dum Leão

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