Contaminação pelo ar causou 59% dos casos de Covid dentro de cruzeiro no Japão, aponta estudo de Harvard | Coronavírus

Contaminação pelo ar causou 59% dos casos de Covid dentro de cruzeiro no Japão, aponta estudo de Harvard | Coronavírus

Segundo o artigo, a transmissão pelo ar foi responsável por 59% dos contágios dentro da embarcação, e apenas 41% de todas as transmissões teriam sido feitas pelo contato com as gotículas de saliva. Para chegar a este número, os cientistas recriaram o surto em um computador e observaram os padrões nas taxas de contaminação.

O navio Diamond Princess foi apontada como um dos hot spots da epidemia ainda em fevereiro, quando poucos países confirmavam casos de Covid-19. Com mais de 3,7 mil passageiros, o navio chegou a ficar quase um mês de quarentena em um porto japonês.

“Essas descobertas ressaltam a importância da implementação de medidas de saúde pública direcionadas ao controle da inalação de aerossóis, além de medidas em andamento que visam evitar a contaminação por gotículas”, escreveram os autores.


O artigo “Mechanistic Transmission Modeling of COVID-19 on the Diamond Princess Cruise Ship Demonstrates the Importance of Aerosol Transmission” foi publicado em 15 de junho como prévia (pré print) em uma plataforma de textos científicos e submetido a uma publicação. Ele ainda aguarda a revisão pelos pares (outros cientistas), na chamada peer review.

Passageiras do Diamond Princess, o cruzeiro em quarentena no Japão, acenam para os fotógrafos, em 16 de janeiro de 2020 — Foto: Athtit Perawongmetha/Reuters

Em um programa de computador, os pesquisadores criaram mais de 21,6 mil cenários possíveis para a infecção, mas apenas 132 deles se mostraram mais próximos à realidade observada no navio e que seguiam critérios específicos, que levaram em conta, por exemplo, o ritmo de contágio.

Também simbolizado por Rt, o “ritmo de contágio” é um número que traduz o potencial de propagação de um vírus: quando ele é superior a 1, cada infectado transmite a doença para mais de uma pessoa e a doença avança. No navio este número ficou entre zero e 0,95.

Os pesquisadores defendem que um modelo computacional pode ajudar a entender melhor como o vírus é transmitido, já que não há estudos empíricos que expõem voluntários intencionalmente à infecção. Segundo eles, abordagens matemáticas apontam para os caminhos mais prováveis de transmissão.

“Nossos resultados demonstram que a inalação de aerossol foi dominante na transmissão da Covid-19 entre os passageiros a bordo do Diamond Princess”, escreveram os autores do estudo. “A quarentena imposta aos passageiros também se mostrou importante, o que prova o impacto deste tipo de intervenção.”

Aerossóis são micropartículas muito, muito pequenas, de poeira, poluição, que ficam em suspensão no ar. Em um centímetro cúbico de ar, pode haver de dez a vinte mil aerossóis. O vírus é ainda menor. E pode se colar a essas micropartículas – que se transformam em superfícies de transmissão.

Após pressão da comunidade científica, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que a transmissão da Covid pelo ar não pode ser descartada em alguns tipos de ambientes internos específicos, mas incluiu a ressalva de que a infecção reportada por pesquisadores nesses locais pode estar ligada a uma combinação de fatores e que mais estudos são necessários.

Saiba a diferença entre gotícula e aerossol

Saiba a diferença entre gotícula e aerossol

Outro estudo feito com a tripulação do Diamond Princess descobriu que a infecção no navio começou com apenas um passageiro. Publicado na quarta-feira (28) pela revista “PNAS”, o artigo avaliou o código genético do vírus que não apresentou alterações à bordo.

Segundo os pesquisadores, a linhagem encontrada entre os viajantes foi exatamente a mesma de Wuhan, na China, onde ocorreu o primeiro surto da doença. O estudo sugere que o vírus se espalhou rapidamente pelo navio em jantares e bailes antes dele ser colocado em quarentena.

Os autores do “Haplotype networks of SARS-CoV-2 infections in the Diamond Princess cruise ship outbreak” conseguiram traçar a sequência completa do RNA do vírus em uma amostra de 73 passageiros e ao menos 29 deles tinham o código idêntico ao inicial. Outros dois grupos foram identificados com pequenas mutações, que acontecem por conta das replicações do vírus.

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