Setor de transportes é um dos mais afetados pela pandemia de Covid-19

Setor de transportes é um dos mais afetados pela pandemia de Covid-19

Cerca de 700 rodoviários foram demitidos no estado desde o início da pandemia do novo coronavírus – que perdura quatro meses –, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Intermunicipal da Bahia (Sindinter).

Os números são em consequência dos decretos sancionados pelo governador Rui Costa, suspendendo a circulação do transporte [coletivo] em 391 cidades (90%), de um total de 417 municípios baianos. As decisões mantêm a proibição das viagens de ônibus no território baiano até 31 de julho.

Em Salvador, vigoram ainda as regras implantadas pela prefeitura municipal. Com isso, outras categorias do setor de transportes e logística foram diretamente atingidas, como os taxistas, motoristas por aplicativos, além de condutores de vans escolares e de turismo.

Janice Alves, 49 anos, viu no transporte escolar a oportunidade de deixar as faxinas em casa de “patroa” para trás e tentar a sorte com o volante. No começo do ano, ela e o marido investiram na compra de uma van, porém, ao passo que começaram a conquistar clientes e assinar contratos com escolas, tiveram que parar o serviço por “tempo indeterminado”, com a crise sanitária –, e viram a renda familiar cair para cerca de 90%.

“O que está nos ajudando é que, agora, estou vendendo bolo de pote, geladinho, e máscara de pano, para sustentar minha família. Meu marido está fazendo bicos [desde levar compra de supermercado, a ajudante de pedreiro, passando por limpar banheiro], além disso, o sindicato [dos Transportadores Escolares e Turísticos do Estado da Bahia, Sinteste] está fornecendo cesta básicas para os motoristas registrados”, diz ela.

A expectativa da volta às aulas é grande entre representantes desse segmento, que, em meio ao aperto financeiro, ainda tiveram de promover adaptações de modo a proteger a saúde dos estudantes. Diante desse panorama de ainda mais despesas e escassez , o motorista Fernando Santiago, 44, relata estar descrente de uma recuperação econômica em 2020.

“Não acredito que vamos conseguir retornar esse ano, mesmo existindo uma monitora dentro do carro, e adotando os métodos de higienização é complicado, porque terei que reduzir a quantidade e crianças dentro da van para manter o distanciamento, isso significa redução de lucro”, afirma Santiago, que “desde sempre” trabalha como motorista, em diferentes segmentos da atividade.

Prorrogação do IPVA

Vale lembrar que a categoria teve o pagamento do IPVA [Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores], em cota única ou em três parcelas, prorrogado até setembro de 2021. Essa “conquista” é questionada por grupos de motoristas de Salvador, como taxistas e de aplicativos de passageiros, que seguem trabalhando em meio à pandemia.

Na avaliação do presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT), Denis Paim, os motoristas da classe enfrentam dificuldades em conseguir ganhos nas corridas, já que a rodoviária encontra-se fechada, e as atividades comerciais estão suspensas. Ele destaca que a prefeitura de Salvador incluiu a categoria no programa de auxílio emergencial do município.

“Nos mobilizamos, e os taxistas, acima de 60 anos vão receber benefício da prefeitura no valor de R$ 270 até setembro, e, os abaixo dessa idade, receberam uma única parcela. Nosso rendimento diminuiu cerca de 90%”, conta.

Dados apresentados pela AGT, do começo do ano até a primeira quinzena do mês de julho, foram de 281 condutores profissionais contaminados, e 28 óbitos. Para frear esses números, Paim fala das soluções encontradas para amenizar riscos.

“Fechamos uma parceria com uma empresa de barreira de proteção, que colocamos no banco traseiro separando o passageiro e o taxista; damos a orientação para que os vidros fiquem abertos, e que não liguem o ar condicionado; e sempre lembrando ao passageiro e ao motorista o uso de máscaras e do álcool em gel”.

A crise também atingiu os motoristas de aplicativos. a Uber, maior empresa d0 setor, demitiu 3.700 funcionários, em maio, e cerca de 40 escritórios serão fechados no mundo nos, anunciou.

A notícia foi dada pela CEO Dara Khosrowshahi, em entrevistas a jornais locais de San Francisco, Estados Unidos, essa semana. Segundo ela, no início da pandemia a plataforma teve declínio de 70% no faturamento, um “retrato da realidade econômica no setor”.

Diretor do Sindicato dos Motoristas por Aplicativos e Condutores de Cooperativas do Estado da Bahia (SIMACTTER), Jean Moura, expõe que houve uma “sensibilidade” do sindicato e dos membros da categoria para ajudar aqueles que estão afastados por conta da idade, ou que não estão conseguindo manter a renda para manutenção da família.

“Os motoristas passaram a ter dificuldades por conta do distanciamento social, e até hoje é difícil para alguns deles. Por isso, os próprios motoristas e o sindicato estão ajudando no que é possível, com a distribuição de cestas básicas e kits de prevenção, além de outras assistências, pois a receita caiu muito”, diz Moura.

Para mudar a situação, os motoristas aderiram às outras especialidades dentro dos aplicativos, como o serviço de entrega de encomendas e o delivery. Considerado uma válvula de escape para complementar a renda do mês, já que os números de pedidos por aplicativos vêm crescendo, devido às medidas de distanciamento social, para Moura essa solução é um “paliativo”.

“Os serviços de entrega não são suficiente, porque nós recebemos muitas queixas, tanto de cancelamentos feitos pelos clientes, como da baixa remuneração”.

Ainda segundo ele, a retomada das atividades comerciais da cidade pode “reverter essa situação”, e fala que a categoria vem tomando medidas para atender o público seguindo os protocolos de segurança.

“Vários motoristas estão colocando placa protetora para dar uma segurança maior para ao passageiro, e estamos dando esse suporte. Além disso, oferecemos o serviço gratuito de higienização e desinfecção do carro, temos pontos de apoio espalhados pela cidade, e também na sede do sindicato. Realizamos duas ações por semana, e os dias e locais são divulgados nos grupos. Já higienizamos quase cinco mil veículos, só em Salvador”, informa.

Para a higienização dos veículos é necessário fazer o agendamento diretamente na plataforma, e na data e horário marcada o motorista deve se apresentar no local, comprovando que é cadastrado na plataforma, tando na sede do sindicato como nos pontos de ações.

* Sob a supervisão do jornalista Fábio Bittencourt




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Dum Leão

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