Jovens negros enxergam racismo institucional no poder policial, diz promotor baiano

Jovens negros enxergam racismo institucional no poder policial, diz promotor baiano

Um dos temas mais discutidos na atualidade, a violência policial contra jovens negros foi tema do estudo conduzido pelo promotor e mestre em Segurança Pública, Justiça e Cidadania, Jader Alves. Segundo ele, tal parcela da população enxerga racismo institucional no poder policial, por sentir que são abordados por conta de sua condição racial, etária e social.

Conforme o promotor, os jovens se enxergam dentro de um estigma criminoso, que não é criado apenas pela polícia, mas pela sociedade em geral, e que acaba refletindo na atividade policial.

“Eles se sentem aprisionados em um estigma do qual não conseguem muitas vezes se livrar e isso interfere nas liberdades de ir e de vir, até de ser. Mencionam que determinado tipo de roupa, de cabelo é motivo para uma abordagem policial, então se sentem tolhidos na sua liberdade e até na forma de andar. Temem se enquadrarem naquele estereótipo policial, e por isso sofrerem uma abordagem extremamente violenta”, explica.

Em sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA, Jader afirma ainda que os entrevistados reforçaram que não são todos os policiais que cometem abusos, mas essas atividades abusivas têm uma frequência tamanha que contamina a própria visão que a juventude tem de toda a polícia.

“Toda a corporação acaba sendo afetada por essas ações arbitrárias e isso deslegitima a atividade policial perante a visão desses jovens, o que é extremamente ruim para uma instituição que deveria ser vista como proteção e não como ameaça”, aponta.

Como saída para essa situação, o promotor diz que os próprios jovens trouxeram alternativas como cursos de reciclagem, capacitação em direitos humanos, entre outras.

Ele reforça que a pesquisa não é contra a atividade policial, mas busca o debate sobre a polícia que a sociedade quer e precisa. “Essas questões refletem no sistema penal, que acaba sendo convocado a resolver problemas dos quais não consegue dar conta e a juventude negra serve como bode expiatório”, conclui.




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