“Cursed: A Lenda do Lago” entrega uma primeira temporada imatura e cheia de atropelos

“Cursed: A Lenda do Lago” entrega uma primeira temporada imatura e cheia de atropelos

Cursed: A Lenda do Lago apresenta uma nova versão das lendas Arthurianas

Cursed: A Lenda do Lago é a mais nova empreitada da Netflix no universo mitológico fictício. A história é responsável em nos fazer voltar para a icônica lenda de Arthur e sua Excalibur, a Espada do poder. No entanto, a série é otimista em apresentar uma nova versão para a aclamada literatura.



Ademais, não vamos encontrar uma versão clássica do que sabemos do Rei Arthur. Aliás, muito pelo contrário. Os personagens consagrados como Percival, Merlim, Morgana, Lancelote e o próprio Arthur se encontram aqui num novo patamar. Se é bom ou não, terá que tirar suas próprias conclusões. A saber, a primeira temporada iniciou num embalo positivo. Vale a pena uma maratona a fim de conhecer uma nova versão dessa história.


Por fim, o elenco é de nos tirar o fôlego. Na protagonista dessa história temos Nimue (Katherine Langford), a Dama do Lago, ou, como a série nos fez conhecer: a Bruxa do Sangue de Lobo. Assim, no papel de Arthur a série ousa em apresentar o jovem Devon Terrell, um negro e nem um pouco cidadão exemplar, mas um mercenário, bandido e mentiroso. Enfim, o mago Merlin é apresentado pelo irreverente Gustaf Skarsgard e Peter Mullan é o Cardeal líder dos Paladinos Vermelhos. Confira:

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Cursed tenta inovar, mas nos entrega uma história atropelada (Texto com spoilers, cuidado!)

Nimue (Katherine Langford) e Arthur (Devon Terrell) em “Cursed: A lenda do lago”. (Foto: Reprodução/Netflix)


A saber, o enredo parte de uma história escrita e desenhada por Thomas Wheeler e Frank Miller. Da mesma produção de The Witcher, Cursed consegue prender a atenção do público, mas decepciona no conjunto. Todavia, Nimue (Langford) é uma personagem confusa e cheia de medos e inseguranças. Nunca sabe o que deseja e o que deve fazer. Uma jovem poderosa que não tem noção do poder que tem, a própria atriz Langford consegue entregar seu papel com muita sabedoria. Nimue nos insere na cultura de seu povo, chamado de feérico.

Contudo, Nimue, numa de suas fugas e peripécias se esbarra com Arthur. Um encontro fraco, desprovido de diálogo convicto, mas eficaz. Arthur (Terrell) é um jovem sonhador, mas covarde. Isso já quebra por completo o clássico que conhecemos. E é super positivo no início, depois, os episódios vão perdendo a graça e o ritmo.

Por fim, a temporada consegue perder seu ritmo e não embala com força e vigor. Somos induzidos a acreditar que no final uma cena poderosa e impactante irá nos saciar, no entanto, a série nos decepciona ao entregar uma pré-conclusão doída e triste. Nimue e Arthur carregam a Espada do Poder até chegar a Merlin, um mago trapaceiro que vive de boatos.

A lenda da Bruxa do Sangue de Lobo

Em Cursed, Katherine Langford é Nimue. (Foto: Reprodução/Netflix)


O nome Excalibur não aparece nesse contexto, talvez ele venha fazer parte do enredo numa temporada futura. Ainda assim, o temor que se é construído sob Nimue consegue ganhar o público. A Bruxa do Sangue de Lobo aterroriza os vilões. A saber, esse arco foi perfeitamente construído para acrescentar os vilões, os Paladinos Vermelhos. Trata-se de uma organização clerical que usa a fé em Deus para matar e eliminar toda e qualquer magia e bruxaria da terra. Por fim, em nome de Deus e da Igreja, o Cardeal líder decide dizimar toda a cultura feérica.

Nesse sentido o povo de Nimue é ameaçado. Assim, a figura do Monge Chorão (Daniel Sharman) surge queimando todos e destruindo tudo o que vai contra a fé. Posteriormente o personagem de Sharman tenta nos entregar um plot twist, no entanto, a série mais uma vez atropela essa cena e não consegue nos surpreender.

Entretanto, a vilania, o ódio e a construção dessa guerra entre a fé e a magia, o bem e o mal é muito bem construída. Portanto, são as melhores cenas que a série conseguiu nos entregar. A cena do convento pegando fogo pela Irmã Iris (Emily Coates) é apavorante e isso introduz a personagem de Coates num novo capítulo dessa história.

A descoberta de Lancelot e a coragem inocente de Percival, o “Esquilo”

Billy Jenkins é “Esquilo”, o Percival em Cursed. (Foto: Reprodução/Netflix)


Sim. Queremos mais do “Esquilo” (Billy Jenkins), o Percival e de Lancelote (Sharman). Sim, ele mesmo, o Monge Chorão. Lembra que mencionamos um plot twist? Então, o líder dos inimigos é um feérico que sofreu uma espécie de lavagem cerebral pela Igreja. Poderoso, guerreiro, também imbuído de magia lutava em nome da fé contra seu próprio povo acreditando ser o certo.

No entanto, o pequeno “Esquilo” num ato de coragem inocente decide enfrentar a Trindade, os Guardas do Papa. Decerto que isso comove e muito o Monge Chorão, ver uma criança tentando salvar sua vida, isso mexeu com ele. O Monge se reergue, destrói a Trindade e foge com “Esquilo”.

Enfim, a cena final dos dois cavalgando para longe de tudo isso nos entrega o melhor que Cursed pode nos oferecer. A saber, uma cena que rouba a protagonista e nos revela o início de uma amizade linda entre Percival e Lancelote. Portanto, uma segunda temporada que eleve esses dois num novo patamar é tudo o que queremos.

Irmã Iris e Nimue podem se enfrentar em Cursed?

Irmã Iris (Emily Coates) em Cursed: a lenda do lago. (Foto: Reprodução/Netflix)


Antes de mais nada Cursed: A Lenda do Lago entrega um final de temporada decepcionante, mas, ao mesmo tempo questionadora. Cursed tenta ser uma mistura de The Witcher com Warrior Nun e uma pitada mal temperada de Vikings. Contudo, não podemos deixar de ressaltar que serve de uma boa introdução para uma segunda temporada. Decerto que a cena de Nimue caindo no lago depois de ser atingida por flechas pela Irmã Iris não encerra toda essa história.

Por fim, Irmã Iris é uma mulher que agora é guerreira da Trindade, um exército que inicialmente era composto por homens. Arthur é um jovem negro, representa uma inserção representativa num momento crucial em pleno 2020. E, ao contrário do clássico, não é um jovem virtuoso, muito pelo contrário. Morgana era irmã no mesmo convento que Isis, no qual mantia uma paixão escondida da madre pela Irmã Celia (Sophie Harkness).

Portanto, a série é vitoriosa por sua representatividade corajosa. Merlin também destrói aquele estereótipo de mago poderoso e imortal, mas apresenta um homem trapaceiro, viciado e covarde.

Enfim, Cursed: A Lenda do Lago é uma produção original da Netflix. A primeira temporada está disponível. Ainda assim, não temos divulgação da confirmação de uma possível segunda temporada.

 

 

Por: Dione Afonso

(Foto destaque: Katherine Langford é Nimue em “Cursed: a Lenda do Lago” da Netflix. Reprodução/Netflix)



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