O enigma da candidatura de Kanye West à Casa Branca | Blog da Sandra Cohen

O enigma da candidatura de Kanye West à Casa Branca | Blog da Sandra Cohen

Quando o rapper Kanye West anunciou, no início do mês, que concorreria à Casa Branca, muita gente especulou se ele falava sério, depois de declarar-se rompido com o presidente Donald Trump. O ingresso tardio, numa eleição atribulada como a de 2020, seria uma jogada de distração para dividir votos e atrapalhar o democrata Joe Biden? Ou uma campanha para promover seu próximo álbum “Donda”, que sairá na sexta-feira?

Mas o comportamento instável no primeiro comício, domingo à noite em North Charleston, na Carolina do Sul, e a postagem de uma série de tuítes desconexos, no dia seguinte, fizeram seus fãs questionarem sobre a saúde mental do rapper, produtor musical e estilista. Mais até do que a excêntrica candidatura registrada na Comissão Federal de Eleições, pelo BDY ou Birthday Party (trocadilho também para Festa de Aniversário).

West fez do palco do Exquis Event Center uma espécie de confessionário, ao falar sobre aborto, religião ou comércio internacional. Chorou ao contar que o pai não queria que ele nascesse, assim como ele próprio rejeitou a filha North, no início da gravidez da mulher Kim Kardashian, mas se arrependeu. “Eu quase matei minha filha!”, gritou várias vezes.

Em outro momento controverso da noite, o rapper tentou rasgar a biografia da abolicionista Harriet Tubman, considerada uma das heroínas do país, por ajudar a libertar 300 negros escravizados no século XIX. Na livre interpretação de West, que chocou os fãs, em suas missões para resgatá-los, ela apenas “mandou os escravos trabalharem para outras pessoas brancas.”


Os devaneios prosseguiram em posts no Twitter, deletados depois, nos quais alegava que a esposa Kim Kardashian estava mandando um médico para prendê-lo ou se comparava a Nelson Mandela.

Como publicou o site TMZ, West, que sofre de transtorno bipolar, tem ao menos uma crise por ano. A de 2020 coincidiu com o anúncio de sua candidatura às eleições presidenciais e preocupa a família. A hashtag #prayforye (“reze por Ye”, como West também é conhecido) rapidamente virou tendência nas redes sociais, propagada por fãs e celebridades, consternados com seu estado mental.

Suas chances concretas na disputa? Aos 43 anos, o rapper bilionário perdeu o prazo em vários estados. Não conseguiu coletar as 10 mil assinaturas a tempo de inscrever-se para concorrer às urnas na Carolina do Sul, mas se qualificou em Oklahoma e Illinois, que juntos representam apenas 27 votos no Colégio Eleitoral.

A entrada de Kanye West contribui para bagunçar o cenário eleitoral. Numa primeira análise, ajudaria o presidente a quem já apoiou e é partidário da cizânia. Quando o seu nome foi incluído numa pesquisa conduzida pela Redfield & Wilton Strategies, 2% dos entrevistados responderam que votariam no rapper.

Biden se manteve na liderança, com 48% das preferências em ambas as circunstâncias — com ou sem o rapper na corrida. Mas Trump caiu 1 ponto (de 40% para 39%) com a inclusão de West na pesquisa, num indício de que ele, sim, poderá sair arranhado se essa candidatura for adiante.


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