Pais de crianças com microcefalia lutam para manter os tratamentos

Pais de crianças com microcefalia lutam para manter os tratamentos

A assistente social Juliana Dias, 31 anos, descobriu no parto que a filha Letícia, hoje com 3 anos, foi diagnosticada com microcefalia, alteração cerebral congênita provocada por contágio pelo zika vírus.

Há um mês, a pequena sobrevivente dos efeitos da epidemia de zika no estado, que ocorreu em 2015, foi vítima da pandemia mundial e contraiu a Covid-19. Recuperada do susto da doença, hoje mãe e filha encaram os desafios de uma rotina de terapias feitas em casa.

A exemplo da Letícia, por causa da pandemia as crianças com microcefalia causada pela zika, cujo o vetor é o mosquito Aedes aegypti, tiveram os tratamentos presenciais interrompidos. Como resultado, famílias enfrentam os desafios de fisioterapias e consultas multidisciplinares online, por chamadas de vídeo.

“Antes da necessidade de isolamento físico, a fisioterapeuta da Letícia atendia em domicílio. Agora, o acompanhamento é feito por vídeo. Até montei um tatame em casa para fazer os exercícios”, explica Juliana.

Apesar da solução online, a mãe é bastante exigida para manter o acompanhamento de saúde da filha em tempo de pandemia.

Por causa dos sintomas desenvolvidos quando estava com a Covi-19, a exemplo de uma pneumonia moderada, e do distanciamento físico com a fonoaudiologia, Letícia começou a produzir mais baba.

De acordo com Mylene Jucá, fisioterapeuta de Letícia, a missão de cuidar das crianças com microcefalia é ainda maior em tempo de pandemia. “No caso da Letícia, já vou realizar consultas presenciais. Por mais que a gente ensine como fazer os exercícios em vídeo, usando até bonecos, existem casos em que a falta de maior contato direto com o profissional causa uma regressão de função motora. O controle da cabeça pode ficar mais instável, por exemplo”, explica a fisioterapeuta.

Atendimento

No estado, os pais de crianças com microcefalia podem buscar atendimento de profissionais multidisciplinares no Centro de Prevenção e Reabilitação de Deficiências (Cepred), localizado na Av. ACM, em Salvador. Porém por causa da pandemia, a instituição deixou de atender novos pacientes e passou a acompanhar os que fazem parte do quadro de forma online.

“Por causa da pandemia, a gente precisou deixar a assistência física, e a equipe multidisciplinar do Cepred passou a fazer o acompanhamento por meio de chamadas de vídeo. Além disso, por hora precisamos planejar a reabertura gradativa para novos pacientes”, explica Normélia Quinto, diretora do Cepred. Os dados do Cepred contabilizam, desde abril, 6.888 atendimentos por chamadas de vídeo.

A Bahia tem 1.934 casos de microcefalia notificados, no período de outubro de 2015 a 1 de agosto de 2019. Do total, 796 estão na capital, segundo o último boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) sobre o zika vírus, divulgado no segundo semestre de 2019.

Na capital, o Centro Dia de Referência para Pessoas com Deficiência, localizado no Parque Bela Vista e gerido pela prefeitura, atende crianças com microcefalia e doenças associadas. No espaço, antes da pandemia uma equipe multidisciplinar especializada atendia até 150 usuários por mês.

“A pandemia trouxe uma sobrecarga grande para os familiares que precisam cuidar de crianças com microcefalia. E a gente continua na missão de auxiliar, mesmo de forma remota”, afirma Juliana Portela, titular da Secretaria Municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza (Sempre) de Salvador.




Compartilhe
Comente

Dum Leão

dumleao

Acesse e confira produtos incríveis…
Participe desse experiência.
3Cs – Confira! Compre! Compartilhe!