União Europeia faz concessões para tentar convencer países que bloqueiam acordo pós-pandemia | Mundo

União Europeia faz concessões para tentar convencer países que bloqueiam acordo pós-pandemia | Mundo

Uma nova proposta sobre um plano de recuperação pós-coronavírus foi apresentada, neste sábado (18), aos líderes europeus reunidos em Bruxelas, dando garantias aos países ditos “frugais”, que bloqueiam qualquer compromisso.

Segundo uma fonte europeia, a proposta do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, obtida pela AFP, ainda não satisfez os quatro países em questão (Holanda, Suécia, Áustria e Dinamarca), nem a Finlândia.

A proposta é “um passo na direção certa. Chegar a um acordo depende das próximas horas”, disse um diplomata holandês à AFP.

Antes da retomada da sessão plenária, a proposta foi submetida à chanceler alemã, Angela Merkel, ao presidente francês, Emmanuel Macron, e a seus colegas holandês, Mark Rutte, espanhol, Pedro Sanchez, e italiano, Giuseppe Conte.


O objetivo de Michel é mudar a posição dos quatro Estados “frugais”, oferecendo-lhes concessões, em particular sobre a divisão entre doações e empréstimos, bem como sobre as condições que regem os pagamentos.

O novo projeto ainda prevê um plano de 750 bilhões de euros, mas agora inclui 300 bilhões de euros em empréstimos e 450 bilhões de euros em subvenções – que não terão que ser reembolsadas pelos beneficiários – contra 250 bilhões em empréstimos e 500 bilhões de subvenções inicialmente.

Os “frugais” claramente preferem empréstimos a subsídios.

Também prevê um mecanismo que permite que um país que tenha reservas sobre o plano de reforma apresentado por outro Estado em troca desta ajuda abra um debate dentro de 27 dias no Conselho Europeu ou no Ecofin, que reúne os ministros das Finanças da UE.

“É de fato um poder de veto para cada país. Para mim, é um erro grave, porque abre as portas para muitos mal-entendidos”, comentou Marta Pilati, do centro de reflexão European Policy.

Pedido “difícil de engolir”

A ideia responde ao desejo do holandês Mark Rutte, que exigiu na sexta-feira (17) que esses planos nacionais fossem aprovados pelos 27.

O pedido holandês foi considerado “politicamente difícil de engolir” por uma fonte diplomática, resumindo a posição da maioria dos Estados membros.

Última concessão: Charles Michel propõe aumentar certos “descontos” concedidos a países que pagam mais dinheiro ao orçamento da UE do que recebem, o que beneficia os quatro frugais.

Esse seria o caso de Viena, Copenhague e Estocolmo – mas não Haia – que exigiam esses descontos adicionais. O desconto da Alemanha, que detém a presidência rotativa da UE, permanece no mesmo valor.

É a primeira vez em cinco meses, devido à pandemia de COVID-19, que os chefes de Estado e de Governo – todos usando máscaras de proteção – se reúnem fisicamente em Bruxelas.

Na sexta-feira, a reunião terminou, segundo Rutte, “em uma atmosfera um tanto febril”.

Em questão, sua posição considerada muito rígida sobre o controle de fundos e, em geral, a relutância dos outros três “frugais” a esse plano de recuperação.


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