França abre investigação contra príncipe herdeiro de Abu Dhabi por cumplicidade em atos de tortura | Mundo

França abre investigação contra príncipe herdeiro de Abu Dhabi por cumplicidade em atos de tortura | Mundo

Um juiz de instrução da França foi encarregado de investigar Mohammed bin Zayed Al-Nahyane, príncipe herdeiro de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, por possível “cumplicidade em atos de tortura” nas prisões do Iêmen, informaram nesta sexta-feira à AFP fontes próximas ao caso.

O processo foi aberto em outubro de 2019 em Paris contra o príncipe, também chamado por suas iniciais “MBZ”. Duas queixas foram registradas contra ele durante uma visita oficial à capital francesa em novembro de 2018.

Seis iemenitas apresentaram queixa com constituição de parte civil no juizado de crimes contra a humanidade do Tribunal de Paris.

“Meus clientes estão satisfeitos com a abertura do processo de investigação e têm grandes esperanças na justiça francesa”, reagiu seu advogado, Joseph Breham, à AFP.

Os queixosos denunciaram atos de tortura cometidos em centros de detenção no Iêmen, controlados pelas forças armadas dos Emirados Árabes Unidos, que estão engajados em uma coalizão ao lado da Arábia Saudita contra os rebeldes huthis, que ocupam a capital Sanaa desde 2014.


Mohammed bin Zayed, comandante das forças armadas dos Emirados Árabes Unidos, “provavelmente forneceu os meios e as instruções para a realização desses delitos”, destacou a queixa.

Em virtude de sua “jurisdição universal” para os crimes mais graves, a justiça francesa tem a possibilidade de processar e condenar os autores e cúmplices desses crimes quando estão em território francês.

Queixas com a constituição de uma parte civil tornam quase automaticamente possível a abertura do processo judicial e a nomeação de um juiz de instrução para realizar as investigações.

Durante sua visita à França, em 21 de novembro de 2018, Mohammed bin Zayed discutiu a situação no Oriente Médio com o presidente Emmanuel Macron, em particular sobre a situação no Iêmen.

Este conflito deixou dezenas de milhares de mortos, a maioria civis. Em julho de 2019, os Emirados Árabes Unidos, principal aliado da Arábia Saudita, decidiram reduzir sua presença militar no país.


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