“A intolerância religiosa perpassa pela ignorância”, diz diretora de Patrimônio e Humanidades da FGM

“A intolerância religiosa perpassa pela ignorância”, diz diretora de Patrimônio e Humanidades da FGM

O ataque ao busto que presta homenagem à ialorixá Gildásia dos Santos, conhecida como ‘Mãe Gilda’, no bairro de Itapuã, em Salvador, registrado na quarta-feira, 15, está entre os 17 casos de ataques a templos religiosos de matriz africana praticados entre os anos de 2018 e 2020. Os dados são do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi).

Para a diretora de Patrimônio e Humanidades da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Milena Tavares, estes atos de vandalismo vão além da intolerância. “O homem jogou 17 pedras e cacos de telha no busto de Mãe Gilda, o que provocou arranhões, abalamento e manchas. O mais significativo é a agressão à memória de uma pessoa que já foi vítima de uma ação de intolerância. Além de todo esse dano moral à religião afrodescendente, há uma agressão à autoria de uma obra de arte”, afirmou em entrevista ao programa Isso é Bahia, na rádio A TARDE FM, na manhã desta sexta-feira, 17. O busto de Mãe Gilda já havia sido atacado, pela primeira vez em 2016, logo após ser restaurado.

A diretora lembrou que os atos de vandalismo e desrespeito são recorrentes na capital baiana, como as pichações na Pedra de Xangô, o furto das esculturas que simbolizam orixás na sede dos Correios, mutilações nas esculturas do Dique do Tororó, entre tantos outros. “Isso é muito sério e precisa ser investigado. Por meio do boletim de ocorrência (no caso do busto de Mãe Gilda), a gente pretende fazer um oficio e solicitar que as promotorias investiguem e sigam adiante para inibir que novas ações como esta aconteçam”, afirmou.

Entre as ações que são realizadas pela Fundação Gregório de Mattos, a fim de levar conhecimento à população sobre a nossa história e cultura, estão o programa Reconectar, que consiste em três circuitos na cidade de visitação a monumentos públicos, e o QR Code em esculturas localizadas no Centro Histórico de Salvador, que traz a ficha técnica de cada monumento.

“Debates e seminários já vêm ocorrendo na UFBA (Universidade Federal da Bahia). Vale que as pessoa participem, instruam-se e tenham conhecimento do que é o culto aos orixás, ao candomblé, adquiram respeito por esta religião que tanto contribui com a cultura da nossa cidade. Estes atos de intolerância perpassam muito pela ignorância, apesar de já haver ensino nas escolas”, concluiu.

No Brasil, os casos de intolerância religiosa podem ser registrados pelo Disque 100, vinculado à Comissão de Direitos Humanos. O serviço foi criado em 2011 e funciona 24 horas por dia.




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