Pandemia prorroga assinatura de contrato da ponte Salvador-Itaparica com chineses

Pandemia prorroga assinatura de contrato da ponte Salvador-Itaparica com chineses

A impossibilidade de viagens da China ao Brasil por conta da pandemia do novo coronavírus, que fechou portos e aeroportos, é o motivo apresentado pelo governo do estado para prorrogar pela segunda vez em 90 dias, o prazo de assinatura do contrato de concessão para construção da Ponte Salvador-Itaparica.

A decisão, divulgada nesta quarta-feira, 15, foi tomada em comum acordo, segundo informou o governo da Bahia em nota e motivada “pelas dificuldades operacionais em decorrência da pandemia do coronavírus”. A alteração no prazo de assinatura já foi publicada no Diário Oficial do Estado.

Em abril, também por conta da pandemia da Covid-19, a assinatura do documento que dará início legal à obra foi adiada por 90 dias, vencido neste mês. O contrato vencido pelo Consórcio Ponte Salvador-Itaparica, formado pelas empresas estatais Chinesas CCCC e CR 20, em dezembro do ano passado, em um leilão na bolsa de valores de São Paulo, tem custo estimado de R$ 5,3 bilhões.

Desse total, R$ 3,8 bilhões serão desembolsados pelo consórcio chinês e R$ 1,5 bilhão pelo governo do Estado. A concessão do projeto executado por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) será de 35 anos.

A expectativa, após a construção, é que a ponte Salvador-Itaparica seja a segunda maior ponte em extensão no Brasil, com 12,4 km de extensão, atrás da ponte Rio-Niterói, que conta com 13,29 quilômetros. A construção do equipamento reduzirá o percurso entre Salvador e Itaparica, que atualmente é de cerca de 1h30 pela estrada e 1h via ferry-boat.

O impacto será sentido no trajetos para cidades da região Sul do estado. A distância de Salvador a Ilhéus, por exemplo, cairá de 452 para 309 km. O projeto prevê também uma série de obras de melhoria de infraestrutura, que envolve duplicação de estradas.

O vice-governador João Leão, titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), explica que o diálogo com o grupo de empresários chinês responsáveis pela obra está ocorrendo quinzenalmente, através de videoconferências.

“Semana passada tive uma reunião com o general chinês Deng Yong, presidente da empresa CR20, que solicitou a prorrogação ao governo, por estarem impossibilitados de virem para aqui. Não tem avião, nem via europa, EUA e Emirados Árabes. A china está isolada, como nós também estamos. Para assinar o contrato e iniciar o processo, eles chegaram ao ponto de cogitar alugar um navio para trazer toda diretoria”, revela Leão.

O secretário garante que a alteração no prazo de assinatura do documento não afetará as cláusulas estabelecidas no edital. “O preço e o prazo da construção estão mantidos, estão no edital que as empresas ganharam; O consórcio terá um ano para elaborar projeto e outros quatro anos para executar”.

A crise econômica provocada pela Covid-19 deverá ajudar os chineses no custeio da obra, essa é a avaliação do vice-governador da Bahia. Leão explica que o preço do ferro, cimento, e materiais que serão utilizados para ponte, que antes os chineses poderiam pensar em importar, pelo alto custo que poderia encontrar no país, com a alta do dólar, poderão mudar de idéia.

“Quando assinaram o contrato, o dólar estava custando R$ 3,80. Hoje, na cotação do dia, está em R$ 5,37. Para os chineses, essa obra se tornou um negócio da zorra, barateou consideravelmente. Se o valor se manter assim, o custo da ponte, para eles, cairá de cerca de 3 milhões de dólares para 1.7 milhão. Eles estão loucos para assinar esse contrato e começar”, ressalta João Leão.




Compartilhe
Comente

Dum Leão

dumleao

Acesse e confira produtos incríveis…
Participe desse experiência.
3Cs – Confira! Compre! Compartilhe!