Como serão as cidades no pós-pandemia?

Como serão as cidades no pós-pandemia?

A pandemia afetou a vida nas cidades com uma nova forma de trabalhar e mudando a visão do espaço. Mas qual o rastro que isso vai deixar?

A pandemia causada pelo novo coronavírus forçou uma adaptação da casa em ambiente de trabalho, escola, cinema, restaurante, brinquedoteca e etc, tudo ao mesmo tempo e em um só lugar. E isso mudou a visão de como e onde vivemos. Por isso, surgem dúvidas sobre como as escolhas pessoais por home office e a necessidade por mais espaço vão alterar a dinâmica das grandes cidades.



Nos últimos anos existiu uma corrente urbanística que defendia o adensamento dos centros urbanos. Dessa forma, as distâncias seriam reduzidas, assim como o tempo de locomoção. Sendo assim, diminuição dos custos com infraestrutura e aumento da qualidade de vida .Contudo, a pandemia mudou isso tudo.


De acordo com o arquiteto e urbanista urbanista, Welton Nahas Curi, esse pensamento está alterando. “Com o surgimento da Covid-19, esse pensamento tende a mudar, pois os lugares mais atingidos são justamente os municípios mais adensados. Logicamente temos que passar por uma mudança nestes conceitos e repensar em uma nova estrutura.”

Assim, essa nova estrutura vai precisar adaptar as grandes cidades aos novos modelos de vida. Com a possibilidade do home office, as pessoas vão optar por lares maiores e mais afastados do centro ou em cidades menores. O que vai influenciar diretamente o trânsitos nos grandes centros.

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Êxodo urbano


No pós-apndemia muitas pessoas vão optar por morar em casas menores e no interior. (Foto: Reprodução/ Matheus Farias)


A quarentena exigida pela COVID-19 mudou completamente a visão as pessoas sobre suas casas. Ter que viver o tempo todo em um só espaço e conviver com familiares nesse mesmo espaço, levantou a necessidade por mais espaço dentro de casa. Entretanto, outras coisas, como localidade e preço, influenciavam a escolha da casa.

Por isso, vai acontecer algo que não acontecia há décadas. “O que acontece hoje vai na contramão com o que aconteceu nos últimos 60 anos. Pela primeira vez na história, estamos vivendo uma reversão do êxodo rural para o êxodo urbano, o que era inimaginável até quatro meses atrás”, explica o arquiteto.

Com a possibilidade do home office, não como provisório, mas como realidade, as pessoas vão optar por casas maiores, longe dos centros ou em cidades menores. “Em um primeiro momento, o mercado imobiliário está aquecido de gente trocando de imóveis menores por maiores, justamente para poder adequar essa sobrevivência dentro dos lares. E no segundo momento, a gente tem visto muitas pessoas saindo das cidades por causa da facilidade de poder trabalhar a distância, então, também afeta bastante essa questão da moradia.”.

Essa nova forma de ver a vida vai desenvolver cidades menores, já que esse êxodo urbano, na verdade, será de uma cidade para outra cidade. ”Eu creio que uma boa parte êxodo urbano vai se dar de urbano para urbano. Cidades pequenas vão crescer, as cidades grandes tendem a diminuir e uma parte vai para a zona rural ou vai para regiões de campo, de represa, de bairros periféricos ou condomínios em volta de cidades estruturadas. Afinal, mesmo a pessoa morando em uma fazenda, ele precisa colocar os filhos na escola. Então, tem que ter a infraestrutura urbana para que possam ser atendidas as necessidades básicas.”

Bairros


Bairros se tornarão autossuficientes. (Foto: Reprodução/ Lucas Marcomini)


Apesar de uma grande parcela da população optar por cidades menores, ainda existe uma parte que vai ficar nas grandes cidades. Contudo, a tendência é que elas ocupem regiões mais afastadas do centro. Assim, promovendo o crescimento dos bairros e, tornando-os autossuficientes, sem que os moradores precisem se deslocar até os grandes centros.

Curi explica, “A tendência é levar toda parte de serviço, toda parte de infraestrutura para os bairros e não em centralidade. Então, realmente existe sim essa tendência de os bairros se tornarem autossuficientes. Inclusive, as novas leis de zoneamento, os novos planos diretores preveem a liberação do uso misto em bairros residenciais porque as atividades de comércio local são inerentes, se você não regulariza isso, ele vira clandestino.”

Mobilidade


A tendência é que o trânsito diminua no pós-pandemia. (Foto: Reprodução/ Pedro Hartmann)


Com mais pessoas trabalhando de casa e mudando-se para o interior, a tendência é que os trânsitos dos grandes centros urbanos diminua. “Como há um processo de esvaziamento da cidade, a tendência é diminuir o número de pessoas dentro de ônibus e metrô. Então o trânsito tende a diminuir sim, porque as pessoas saem da cidade e as cidades ficam vazias. As pessoas estão de locomovendo para outros lugares não para ficar mais tempo no trânsito, mas porque elas não precisam tanto de uma locomoção, já que resolvem os problemas a distância, fazem conferência, reuniões, resolvem pendências a distância. Então, vai diminuir o trânsito e não aumentar”, explica o arquiteto.

Contudo, isso já era uma inclinação da sociedade e, só foi acelerada com a pandemia. Curi esclarece “Já estava havendo uma diminuição significativa do interesse por carteira de motorista, por exemplo, entre os jovens hoje, são 70% de procura por carteira de motorista, ou seja, tem 30% dos jovens que não dirigem e nunca vão dirigir pela facilidade do uber, patinete motorizado, bicicleta, transporte coletivo de qualidade.”

Por: Isabella Vasconcelos

(Foto Destaque: São Paulo. Reprodução/ Draga Trabalho)



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