Armênia e Azerbaijão retomam combates na fronteira | Mundo

Armênia e Azerbaijão retomam combates na fronteira | Mundo

Tropas da Armênia e do Azerbaijão voltaram a entrar em confronto nesta quinta-feira (16), após um cessar-fogo de um dia — anunciaram os Ministérios da Defesa dos dois países, que se acusam mutuamente pela retomada da violência.

Os combates acontecem na fronteira norte, de acordo com os governos. O confronto começou no domingo (12) e prosseguiu por dois dias, registrando uma pausa ontem. Estes são os combates mais graves desde 2016 e ameaçam a estabilidade daquela região.

O Azerbaijão anunciou hoje a morte de um de seus soldados. Segundo o balanço oficial, 17 pessoas morreram desde domingo: 12 militares e um civil do Azerbaijão e quatro soldados da Armênia. Entre os mortos do lado azeri, está um general.

Em comunicados separados, os beligerantes disseram que há “combates em curso” nesta quinta. Os dois lados alegam terem respondido a um ataque.

Homenagem ao militar armênio Garush Hambardzumyan nesta quinta-feira (16), morto no combate entre Armênia e Azerbaijão — Foto: Karen Minasyan/AFP

Em conflito há duas décadas, Armênia e Azerbaijão respeitaram uma trégua entre a meia-noite de quarta-feira (17h no horário de Brasília) e a manhã de hoje, após três dias de confrontos.


O Ministério armênio da Defesa afirmou que impediu uma “tentativa de infiltração do inimigo” e que, “após uma batalha intensa, o inimigo foi rejeitado”. A Armênia indicou ainda que o confronto provocou perdas do lado do Azerbaijão.

Depois, acrescentou a Armênia, as forças do Azerbaijão começaram, por volta das 5h locais (23h no horário de Brasília), a “bombardear os povoados de Aygepar e Movses com morteiros e um obus D30”.

O Ministério da Defesa do Azerbaijão acusou a Armênia de ter iniciado os combates. “Uma unidade das Forças Armadas da Armênia tentou novamente atacar nossas posições no distrito de Tovouz, na fronteira”, afirma um comunicado.

Segundo o Ministério, as localidades de Agdam, Donar Guchtchu e Vakhidli foram alvo de disparos de armas pesadas e de morteiros.

O Azerbaijão ameaçou hoje bombardear a única central nuclear da Armênia. Além disso, o presidente do país, Elma Mammadyarov, afastou seu chanceler, Elmar Mammadyarov, após criticar suas ações durante a crise atual.

Mulher de 70 anos na Armênia mostra casa danificada após confrontos com o Azerbaijão na quarta (15) — Foto: Karen Minasyan/AFP

Jornalistas da AFP conseguiram acessar ontem algumas destas localidades em ambos os lados do front de combate.

Várias casas tinham suas janelas quebradas, ou os telhados deformados. Chain Abiiev, morador de Donar Guchtchu, no Azerbaijão, explicou que um obus caiu em seu jardim.

“Danificou as janelas, o telhado, o jardim e a porta de entrada. Por sorte, minha família não estava, ou teria sido uma tragédia”, desabafa.

As duas ex-repúblicas soviéticas estão em conflito há décadas por Nagorno-Karabakh. Esta região separatista, que tem o apoio da Armênia, foi palco de uma guerra no início do anos 1990 que deixou 30 mil mortos.

Os confrontos recentes acontecem longe deste território, na fronteira norte entre os dois países do Cáucaso. Essa escalada faz temer um conflito aberto.

Rússia, uma potência regional, Estados Unidos e União Europeia pediram à Armênia e ao Azerbaijão que ponham fim ao conflito, enquanto a Turquia deu seu apoio ao Azerbaijão.


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