Salvador registra aumento do número de mortes em casa

Salvador registra aumento do número de mortes em casa

Salvador registrou um aumento de 109% no número de mortes em casa, entre março e junho deste ano, segundo a Associação dos Registradores Civis das Pessoas Naturais (Arpen). Ao todo, segundo a Arpen, foram registradas 1.117 mortes em casa, entre 16 de março e 30 de junho, enquanto 532 óbitos foram registrados no ano passado, no mesmo período. Para a entidade, o aumento tem relação com a Covid-19, além da não procura por assistência médica, em função da pandemia.

De acordo com o presidente da Arpen – Bahia, Daniel Sampaio, a maioria das vítimas eram idosos acamados, que não tiveram tempo de ser conduzidos a unidades de saúde. “A maioria dessas mortes em residências são mortes súbitas, de idosos e pessoas que não tiveram tempo hábil para recorrer a uma unidade de saúde. Acredito que situações como essa tenham aumentado por conta da pandemia. Então acredito que esses dois fatores tenham relação”, sinalizou.

Bahia

O aumento no número de mortes em casa, apontado pela Arpen, foi registrado também quando se leva em consideração toda a Bahia. Segundo o órgão, foram registrados 4.923 óbitos em residências em todo o estado, entre 16 de março e 30 de junho. Já em 2019, no mesmo período, o número foi de 4.432.

No entanto, para Daniel Sampaio, o número de óbitos em casa nesse período pode ser ainda maior. De acordo com ele, os Cartórios de Registro Civil do Estado da Bahia enfrentam dificuldades para envio de dados de forma automatizada à Central Nacional de Informações do Registro Civil (CRC Nacional), uma vez que o sistema de envio de disponibilizado pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ-BA) – Sistema de Controle de Certidões (SCC) –, apresenta diversos problemas em seu funcionamento.

“Esses números que chegaram à central ocorreram, condizem com a realidade. Mas por conta desses problemas enfrentados com os relatórios, ele pode ser ainda maior”. Segundo o presidente da Arpen-BA, a perspectiva do Tribunal de Justiça da Bahia é que os dados sejam atualizados até 17 de julho.

Por outro lado, dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) indicaram que, entre março e junho deste ano, a Bahia registrou 6.549 óbitos por causas naturais em residências, enquanto 7.218 foram registrados no ano passado. Em Salvador, segundo a Sesab, o total de mortes em residências atingiu 754. Enquanto, no mesmo período do ano passado, 768 óbitos foram registrados na capital. Contudo, a Sesab não comentou a discrepância nos dados informados, em comparação com os dados disponibilizados pela Arpen.

Para quem perdeu um familiar nesse período, a sensação foi de impotência. “Passei por isso com meu avô, que faleceu no mês passado. O corpo teve de ficar em casa, a família toda acaba passando por isso, vendo tudo e sem poder fazer nada”, relatou Sirleide Araújo, 38, consultora de vendas. Com 95 anos, Clóvis da Silva, avô dela, morreu no dia 9 de junho, após apresentar sintomas de falta de ar. “Ele era do grupo de risco, tanto pela idade, como por um tratamento de câncer. Ele, que já estava com a imunidade baixa, teve o quadro piorado nos últimos dias de vida”, contou.

O cenário em torno do aumento no número de mortes em residências foi percebido também por profissionais responsáveis pela remoção e preparação de corpos para a realização de velórios. Segundo a agente funerária Ana Paula Queiroz Teixeira, 49, que atua há 24 anos no ramo, a demanda tem assustado. “Isso assusta muito. É lógico que sempre aconteceu, mas não da forma que tem sido. Tem dias que são vários óbitos, em geral de idosos. Aparentemente, as pessoas estão tão preocupadas com a pandemia que esse aumento tem passado despercebido. É muito triste”, destacou a agente, que trabalha na Ismael Flores & Funerária, no Campo Santo. Recentemente, a Fiocruz Amazônia revelou um aumento de 53% no número de mortes em casa, por causas naturais, em Fortaleza, Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo o autor do estudo, o epidemiologista Jesem Orellana, não foi possível usar os dados de Salvador ou da Bahia, por meio da Central Nacional de Informações do Registro Civil (CRC Nacional).

*Sob supervisão da jornalista Meire Oliveira




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