Necessidade de tratamento aumenta risco de infecção de pacientes renais

Necessidade de tratamento aumenta risco de infecção de pacientes renais

O autônomo Jarbas Ribeiro, 33 anos, tem insuficiência renal há 15 anos. Natural de Irecê (a 478 km de Salvador), Jarbas chegou à capital baiana em 2005, após descobrir que precisava fazer três sessões semanais de hemodiálise para continuar vivo. Por causa da doença, causada pela sobrecarga de antibióticos nos rins, o autônomo aguarda o transplante renal.

Em tempo de pandemia, a necessidade de Jarbas de quebrar o isolamento domiciliar, no bairro do Cabula, e pegar um ônibus para a clínica de hemodiálise, em Monte Serrat, contribuiu para o contágio do autônomo pelo novo coronavírus, há pouco mais de um mês. Recuperado da Covid-19, o caso de Jarbas alerta para os riscos que pacientes renais crônicos correm durante a pandemia.

“Perdi três quilos por causa do adoecimento pelo coronavírus, mas graças a Deus estou recuperado. Fiquei com fraqueza, dor de cabeça próxima da região do olho. Nós, pacientes renais crônicos, estamos sempre vulneráveis. A gente precisa sair três vezes por semana para a hemodiálise. Além disso, em cada sessão, são quatro horas presos em uma máquina”, conta Jarbas.

Estrutura

A Bahia tem 39 unidades de saúde que realizam os procedimentos de diálise. Do total, 11 estão em Salvador. Em todo o estado, 7.981 pacientes renais recebem atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A Bahia ainda registra 933 pacientes na lista de espera pelo transplante renal. Os dados são da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

De acordo com o nefrologista José Moura Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia na Bahia e gestor da Clínica Senhor do Bonfim (CSB), comunidades de diálise na capital e no interior baiano, é essencial que os pacientes renais crônicos possam realizar os procedimentos de diálise em ambientes que reduzam os riscos de contágio pelo coronavírus.

“São pacientes que têm uma doença crônica que reduz a sua imunidade. Em determinados casos, ainda existem outras doenças associadas: pressão alta, diabetes. Por isso, a exemplo das medidas adotadas pela CSB, as clínicas de diálise precisam investir em equipamentos de segurança, materiais de higiene e desinfecção, estrutura física para o isolamento de casos suspeitos de Covid-19”, explica Neto.

Riscos

Para José Vasconcelos, presidente da Associação de Defesa dos Pacientes Crônicos Renais do Estado da Bahia (Renal – Bahia), os riscos de contágio enfrentados por quem precisa sair de casa para fazer a hemodiálise também estão presentes no deslocamento até as unidades que fazem a sessão.

“Como estas pessoas precisam sair para fazer a hemodiálise, mesmo em tempo de pandemia, enfrentam transportes públicos lotados, aglomerações em alguns pontos da cidade. Ainda tem quem vem do interior para fazer o procedimento na capital, enfrentando horas de viagem de ônibus, geralmente fazendo as diálises no período da noite”, afirma Vasconcelos.

Aos 55 anos, a autônoma Cassimélia Coelho conhece de perto a realidade apreensiva de quem precisa percorrer longas distâncias para fazer a hemodiálise.

Por causa de um choque elétrico sofrido em 2015, o marido, Luiz Carlos Coelho, 64 anos, ficou com insuficiência renal. Agora, ela acompanha o marido no trajeto de Vera Cruz, onde moram, até uma clínica de diálise em Salvador. São cinco horas e meia de viagem, em 407 km feitos por estrada, dentro de um carro da prefeitura de Vera Cruz.

“Três vezes por semana, pegamos um carro cheio e fazemos a longa viagem. Sempre rezando para não pegar o coronavírus no caminho. Em Salvador, meu marido começa a hemodiálise por volta das 18h, terminando 22h. Mesmo tarde, a gente volta para Vera Cruz logo após o procedimento”.

Ainda segundo Cassimélia, os riscos para quem mora em cidades do interior que não oferecem o tratamento da hemodiálise precisa ser avaliado pelo poder público. “Se Vera Cruz tivesse o serviço de diálise, não seria preciso fazer viagens longas e arriscadas. Já passou da hora de investir em unidade clínica para esta e outras cidades”, conclui.

 




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