Personalidades refletem sobre o Dois de Julho em live do grupo A TARDE

Personalidades refletem sobre o Dois de Julho em live do grupo A TARDE

Com direito a poesia, performance teatral e muita música, a mesa-redonda em homenagem ao 2 de julho realizada pelo Grupo A TARDE, nesta quinta-feira, 2, contou com as presenças do artista plástico Fernando Oberlaender, os músicos Carlinhos Brown e Alexandre Leão, o historiador Daniel Rebouças e o ator Jackson Costa, em transmissão ao vivo pelo Youtube.

“É o primeiro ano que não temos uma comemoração popular, por um motivo justo, que é se resguardar dessa pandemia. Mas a força do povo baiano tem de estar presente e esse é o motivo dessa live”, iniciou o mediador Fernando Oberlaender.

O historiador Daniel Rebouças foi quem abriu o debate, contando sobre o processo histórico dos tradicionais ritos do 2 de julho. “Não conhecemos um rito cívico com tamanha riqueza, longevidade, complexidade e profundidade”, afirmou ele. “A festa começa a ser celebrada logo após a passagem do exército pacificador para dentro da cidade de Salvador, após a expulsão dos portugueses, e já nesse processo temos a participação popular. Infelizmente não temos tantos documentos sobre os primeiros ritos”.

De acordo com Rebouças, a história da festa é marcada por tensões raciais. “As elites tinham medo de uma rebelião escrava, que atravessa a festa. Isso vai aparecer na medida em que vai ser desencorajado a presença dos elementos afrobrasileiros e africanos nas celebrações, por exemplo. A história da festa é marcada por essas tensões”, acrescenta ele.

Já Carlinhos Brown falou sobre a importância da festa e sua relação pessoal com ela. “Como Daniel explicou, esse ato é de tamanha importância para nós. Em 200 anos, pela primeira vez os festejos não acontecem e é claro que tem um lado positivo, que podem nos aproximar de eventos que contam a história melhor. O Dois de Julho deixa claro o desejo de ser brasileiro. Tenho memórias infantis que trazem um afeto enorme, sobretudo meu gosto por filarmônica”, diz Brown.

Durante sua fala, o músico destacou a importância de figuras como Maria Felipa, Joana Angélica e Maria Quitéria no processo de construção da história da tradição cívica. “Aqueles que lutaram lá atrás formataram o pensamento atual”, destaca.

Ainda sobre a importância da festa, Alexandre Leão também ressaltou que o Dois de Julho marca um acontecimento de exaltação do povo baiano. “A Bahia é uma cidade-nação e merece essa festa”, diz ele. O ator Jackson Costa completa: “No Dois de Julho, nós juntamos pessoas de todos os níveis sociais, crenças, para defender o que o é mais essencial que é o povo”.

O ator baiano se caracterizou de cangaceiro e recitou um poema de Ramon Vane, que gravou com Carlinhos Brown, na Timbalada. Ele também homenageou Castro Alves, ao recitar o Poema da Praça, dessa vez, caracterizado de vaqueiro. O ator também aproveitou a oportunidade para falar sobre seu novo projeto – o “Graúna, Pão e Poesia”, que através da venda de pães, distribui poesias.

Durante a mesa-redonda, os participantes ainda frisaram o papel da tecnologia nesse momento, como um mediador para informar ainda mais a população

Ao finalizar, Brown deixa uma mensagem. “Que a cabocla volte para nós com boas novas, trazendo notícias do caboclo e afirmando o matriarcado que é Bahia, que nós olhemos a mulher com outro olhar, que não seja de violência ou de dominação. Não podemos ter índice de abuso e violência que a Bahia tem. Vamos celebrar esse dois de julho sempre olhando as necessidades da minoria. Vamos lutar por questões que têm que ser extintas”, expôs.




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Dum Leão

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