Disputa política é deixada de lado no Dois de Julho em meio à pandemia

Disputa política é deixada de lado no Dois de Julho em meio à pandemia

A pandemia do Covid-19 deu o tom dos discursos na tradicional cerimônia do Dois de Julho. A disputa política, que costuma ditar o tom da cerimônia em anos eleitorais, foi deixada de lado nos discursos dos chefes dos poderes Executivos de Salvador e da Bahia. Ato que foi acompanhado pelos pronunciamentos do chefe do Legislativo do estado e de Salvador.

O primeiro a falar, o governador Rui Costa (PT) comparou a luta pela independência da Bahia com a luta contra o novo coronavírus. “Estamos aqui para prestar a nossa homenagem a grande batalha que não simboliza apenas a independência da Bahia, mas do Brasil. Que se materializou aqui na Bahia, na luta do povo baiano. Hoje, o povo baiano, do Brasil e do mundo vive outra batalha contra um ser invisível”, pontuou o governador da Bahia.

Rui Costa seguiu falando do impacto da pandemia na Bahia e criticou as decisões do governo federal e os posicionamentos do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido). O governador lamentou que “as autoridades do Brasil não escolheram a estratégia correta para enfrentar o novo coronavírus”.

Rui criticou o que classificou como “dispersão de opiniões que se estabeleceu no país”, se referindo aos posicionamentos de Bolsonaro e de apoiadores que defendem a retomada econômica e que minimizam o impacto da Covid-19. “Estamos pagando um preço alto em vidas humanas, emprego e em renda; Muitos mais alto do que deveria pagar”.

Já o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM) destacou , em seu pronunciamento, que os feitos dos “heróis do passado” devem ser lembrados para homenagear os “heróis do presente” – os profissionais da linha de frente no combate ao coronavírus.

“Esse é um momento histórico”, iniciou o prefeito em sua fala. “Como no passado, quando os heróis lutaram pela Independência. Hoje, temos muitos heróis em luta e a arma é outra. A batalha está sendo travada em leitos hospitalares nos 417 municípios da Bahia”, afirmou o prefeito de Salvador, classificando a cerimônia do Dois de Julho como “completamente atípica” por causa do “drama provocado pelo Covid-19 no estado”.

ACM Neto lamentou a ausência da tradicional multidão que acompanha o festejo, que segundo ressalta, revela uma “característica do nosso povo, que é a troca do calor humano”. O chefe do Executivo de Salvador assegurou que a melhor forma de homenagear os heróis do passado no atual cenário “é respeitando a distância, entendendo que a proximidade pode matar”.

Neto agradeceu ao trabalho dos profissionais que em “sua atividade profissional, têm lutado para salvar a vida dos baianos”. O prefeito disse ainda que as medidas de isolamento são para evitar que “o pior aconteça” – ou seja, o aumento no número de “pessoas batendo nas portas das Upas, Hospitais e encontrarem as portas fechadas por falta de leitos de UTI”.

O prefeito de Salvador voltou a dizer que, na cidade, o combate à convid-19 não será afetado por pressões e que todas decisões tomadas na pandemia, “como está ocorrendo”, serão baseadas em “análises epidemiológicas, científicas e estudos”.

Manifestações do Legislativo

Já o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), deputado Nelson Leal (PP), ressaltou a união entre os executivos na luta contra o novo coronavírus em seu discurso.

“Hoje é um dia simbólico para todos os brasileiros. Graças ao empenho, luta e ao sangue derramado por milhares de baianos que nós conseguimos construir essa unidade que existe no Brasil. E esse exemplo de empenho, de garra e determinação é importante para luta que travamos na atualidade”, afirmou Leal. Ele pontuou que a “Luta é difícil, complicada, contra inimigo que não podemos enxergar”.

O presidente da ALBA terminou pontuando que, na Bahia, “temos a felicidade muito grande pela interação entre o governador Rui Costa com o prefeito ACM Neto e os outros prefeitos. Os índices da Bahia, se compararmos outros estados do nordeste, com o Rio de Janeiro, que tem quase a mesma população, conseguimos ver o abismo, a diferença enorme nos números de casos da Covid-19”.

Logo depois, o presidente da Câmara Municipal de Salvador (CMS), Geraldo Júnior (MDB), avaliou que as decisões adotadas na pandemia devem levar em conta dados científicos. “Independente de qualquer posição partidária ou ideológica, nós, que fomos investido na condição de poder legislativo e executivo, temos a obrigação de pensar, não de forma pessoal, mas através dos números, que os especialista em saúde pública pensam nesse contexto”, avaliou Júnior.

 




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Dum Leão

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