Evento da cultura junina retorna em novo formato

Evento da cultura junina retorna em novo formato

O Arraiá da Capitá, festejo junino que marcou época por vários anos em Salvador, está de volta, com a mesma proposta de valorizar a cultura baiana, incentivar a economia regional e aproximar as tradições dos municípios do interior da capital Salvador. Para resgatar essa energia que já contagiou multidões, uma grande live show foi programada para esta quarta-feira, 24, a partir das 19h, com transmissão nas redes sociais, atendendo às restrições impostas para o período da pandemia. Entre as atrações estão Banda Eva, Flor de Maracujá, Zelito Miranda, Tonho Matéria, Del Feliz e Rode Torres, com apresentação de Erica Saraiva.

De grande porte, o Arraiá foi responsável por abrir amplas frentes de profissionalização desse mercado, transformando-se em marco para a população e também para empresários e artistas, cujos relatos confirmam o empenho e a participação de diversas gerações, tanto na organização e realização quanto na curtição da festa em si.

Para o presidente do Grupo A TARDE, João de Mello Leitão, com a mudança de comportamento imposta pela pandemia, acompanhada por todos em tempo real, surgem novas formas de consumo de conteúdo e de entretenimento. “Com isso vimos nesse momento uma excelente oportunidade de fazer uma releitura do Arraiá da Capitá para os tempos atuais”, explica ele.

“O mercado está se reinventando para o ‘novo normal’, digamos que todos estão começando novamente, e aproveitamos para largar junto, trazendo nossa marca novamente para o mercado; podemos dizer que se tem um evento que fomentou a economia do Estado e dos municípios, que movimentou e contribuiu muito para profissionalizar o setor foi o Arraiá da Capitá”, aponta Leitão, lembrando que a marca acompanhou algumas gerações e famílias que tiveram a oportunidade de viver a experiência de grandiosidade do evento.

História

Com a iniciativa da retomada, A TARDE busca, segundo o presidente do Grupo, compartilhar com empatia uma história de grande importância para a cultura das festas de São João. “O resgate é do papel importantíssimo que o Arraiá da Capitá teve, porque além de ser um evento de entretenimento fomentou a economia, profissionalizou o mercado e gerou empregos, e nesse momento de superação em que vivemos iniciativas como essa devem ser lembradas para que possamos acelerar e acreditar na retomada e confiança da economia do nosso Estado”, analisa João Leitão.

“Os festejos juninos remetem a momentos alegres, em cenários coloridos que lembram lugarejos interioranos, comidas e bebidas típicas da época e muita música”, afirma o historiador Nelson Cadena, que trabalhava no Grupo A TARDE como gerente da área de Marketing e Eventos quando tudo começou. Ele lembra que na época Salvador não tinha nenhuma festa junina de grande porte e a ideia surgiu para oferecer uma opção aos soteropolitanos. A primeira ocorreu em 1986, com o nome de Arraiá da Orla, na área do antigo Aeroclube (bairro de Armação).

Com o sucesso alcançado, no ano seguinte o festejo aconteceu no Parque de Exposições, na Avenida Paralela, já com o nome de Arraiá da Capitá. O local foi transformado em uma vila cenográfica, construída por um artista pernambucano, imitando uma vila do interior.

Tudo foi enfeitado com bandeirolas e com diversas fogueiras ‘de verdade’, “porque naquele tempo ainda podíamos fazer”, recorda Cadena, afirmando que o local foi aprovado e durante anos abrigou a principal festa junina de Salvador, com a contratação dos melhores artistas e atrações para todas as idades.

No entanto, o evento sempre foi muito mais do que lazer e entretenimento. Foi um gerador renda e de empregos temporários, bem como fomentou, em uma época do ano que tradicionalmente tinha baixa movimentação, o trabalho das produções artísticas, revendedores de bebidas e empreendedores da área de alimentação.

“Para mim foi um marco nos eventos de Salvador”, afirma o produtor Eduardo Ramos, ressaltando que colaborou com ideias e também na contratação de artistas locais e nacionais. Ele cita que a partir do evento “teve início um processo de profissionalização da área de entretenimento, que até hoje é executado”.

Outro personagem desta história é o empresário José Alves, que também atuou desde o primeiro evento. “Sérgio Leitão (então presidente da Rádio A TARDE FM) me chamou e pediu para a nossa agência (de viagens) atender às bandas de que viriam”, conta.

Ele ressalta que a partir desta demanda de A TARDE foi criada uma opção precursora para transportes de instrumentos musicais, adotada pelas empresas aéreas e em uso até os dias atuais.

“A experiência adquirida naqueles primeiros arraiás motivou que as empresas fizessem o transporte especial dos instrumentos musicais, que necessitam de mais cuidados, separado das demais cargas”, diz, acrescentando que o know how foi conquistado na prática, criando um nicho de mercado.

Como fato pitoresco relacionado ao Arraiá da Capitá, Alves cita: “Teve um ano que uma empresa aérea participou da organização e fez promoção onde as pessoas de outros estados não pagavam a passagem de vinda para este São João. Apenas pagavam a volta”, lembra.




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Dum Leão

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