Secretaria de Saúde acusa deputado bolsonarista de invadir hospital

Secretaria de Saúde acusa deputado bolsonarista de invadir hospital

A Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) informou, em nota, que o deputado estadual Capitão Alden (PSL) invadiu nesta quarta-feira, 17, o Hospital Riverside, dedicado ao tratamento de pacientes com coronavírus. O parlamentar nega a invasão. A unidade é localizada em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador.

Ainda de acordo com a Sesab, o parlamentar ameaçou dar voz de prisão a profissionais do hospital e “demonstrava estar armado”. A pasta afirmou que um boletim de ocorrência foi registrado. “É lamentável que o deputado e os seus seguranças coloquem em risco a própria saúde, sob risco de serem infectados com a Covid-19, bem como a de pacientes e profissionais”, disse a secretaria.

 

 

Alden é aliado do presidente Jair Bolsonaro, que recentemente incentivou a população a invadir hospitais para verificar a ocupação de leitos. “Tem um hospital de campanha perto de você, tem um hospital público, arranja uma maneira de entrar e filmar. Muita gente tá fazendo isso, mas mais gente tem que fazer, para mostrar se os leitos estão ocupados ou não, se os gastos são compatíveis ou não. Isso nos ajuda”, disse o presidente, em transmissão feita na última quinta-feira, 11.

Alden, no entanto, afirmou que o titular da Sesab, Fábio Vilas-Boas, está ciente desde o final de abril da sua intenção de “fiscalizar” unidades voltadas ao tratamento de pacientes com a Covid-19. “Eu enviei um ofício, inclusive com uma sugestão de cronograma, que poderia ser adaptado, informando que queria acompanhar o desdobramento das obras, número de leitos, ocupação”, enumerou.

O deputado também disse que visitou as instalações do hospital de campanha na Arena Fonte Nova, porém antes do início do seu funcionamento. “O secretário mandou até me acompanhar. Foi uma semana antes da inauguração”, declarou.

Alden negou que tenha invadido o Hospital Riverside. “Eu não pulei muro, nem entrei escondido, nem forçando. Me identifiquei e disse que queria ter contato com a direção. Fiquei na recepção aguardando duas horas. Quando o diretor veio, já foi acompanhado de quatro viaturas. Próximo ao hall tinha algumas salas vazias, sem pacientes”, disse.

O deputado negou que estivesse com alguma arma, ou que algum de seus acompanhantes estivesse, o que teria sido verificado pelos policiais presentes.

Conforme a secretaria, durante a confusão, “um dos seguranças do parlamentar posicionou-se na porta de um dos quartos, tendo acesso a uma paciente com as partes íntimas expostas devido ao banho no leito”.

Por meio de nota, o secretário-geral do PSL baiano, Alberto Pimentel, afirmou que a executiva estadual do partido “não apóia ações de invasão a hospitais ou qualquer ato arbitrário, seja por parlamentares ou quaisquer outros filiados à sigla”.

O dirigente acrescentou que, apesar de ser prerrogativa do parlamentar fiscalizar as ações do Executivo, é necessário “cautela, respeito e cuidado” com pacientes internados e profissionais. 

Além disso, segundo Pimentel, ações de fiscalização ostensiva desse tipo são de responsabilidade de órgãos como o Ministério Público, Tribunal de Contas e polícias, dentro de um procedimento legal.




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